terça-feira, 9 de setembro de 2008

TIÃO ROCHA: EDUCADOR CABRA BÃO!!!

Para educador, escola formal não serve para educar

Folha de São Paulo 26/11/2007

Coordenador de Artigos e Eventos da Folha de S.Paulo

"A Escola formal não está só na forma. Está dentro da fôrma. O pior é quando está no formol. É um cadáver." É assim que o educador mineiro Tião Rocha, 59, vê o ensino convencional, de cujos métodos e conteúdos se afastou há mais de 20 anos para experimentar processos alternativos de educação.

À frente do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento desde 1984, Rocha sempre persegue "maneiras diferentes e inovadoras" de educar, alfabetizar, gerar renda. Ele distingue educação de escolarização e busca um sonho: escolas que sejam tão boas que professores e alunos queiram freqüentá-las aos sábados, domingos e feriados. "Se ninguém fez, é possível", diz.

Folha - Toda a sua história como educador é feita do lado de fora das escolas convencionais. Qual é o seu problema com a escola formal?
Tião Rocha - Se eu tivesse um analista, isso seria um prato cheio para ele. Comecei a ter problemas com a escola desde que entrei, aos sete anos. Logo no primeiro dia de aula, no Grupo Escolar Sandoval de Azevedo, Belo Horizonte, a professora Maria Luiz Travassos nos levou para a sala de leitura, pegou um livro, "As Mais Belas Histórias", da dona Lúcia [Monteiro] Casasanta, e começou a ler: "Era uma vez um lugar muito distante, onde havia um rei e uma rainha (...)". Eu levantei a mão e falei: "Professora, eu tenho uma tia que é rainha". Ela desconversou, pediu para eu ficar quieto. Ela prosseguiu a história. Depois que a interrompi duas ou três vezes, ela me mandou calar a boca e ir falar com a diretora, dona Ondina Aparecida Nobre. Ela me deu um tranco, perguntou se eu queria ser expulso. A partir daí, eu sempre inventava coisa para matar a aula. Nunca tive uma escola boa. Nunca tive prazer na escola, mas sempre quis aprender. Quando fui para a faculdade, estudei história e antropologia, fui resgatar a história da minha tia, que era rainha do congado. Para pagar os estudos, eu precisava trabalhar. Fui dar aula e me dei conta de que, se eu achava aquilo chato, meus alunos também, porque eu era um reprodutor da mesma chatice.

Folha - E você conseguiu mudar?
Rocha - Não. Criava jeitos diferentes de trabalhar com os alunos, inovava, mas, no fim, era uma experiência muito reformista. Ela começou a ser transformadora quando aconteceu o fato com o Álvaro, minha primeira grande perda [o garoto, excelente aluno, se suicidou]. Aí eu falei: "Opa! Não adianta querer que os meninos aprendam história se eu não consigo aprender a história da vida deles". Então comecei a deixar de lado não só a forma mas também o conteúdo. Por exemplo, pedia aos alunos para pesquisarem em casa: sobre cantiga de ninar, expressões populares, jogos etc. Um pai chegou para mim e disse: "Vim te agradecer, porque eu tinha um problema de relacionamento com meu filho, mas agora ele apareceu querendo saber sobre as brincadeiras de quando eu era criança e começamos a conversar, a brincar". Eu nem sabia que aquele negócio estava ajudando a aproximar pais e filhos. Aí eu fui me libertando dos conteúdos cheirando a mofo e comecei a ver que estava partindo para uma outra coisa. Esse processo foi evoluindo na reflexão sobre o que é deixar de ser professor e virar educador. O professor ensina, o educador aprende.

Folha - E então o sr. começou seus projetos fora da escola, debaixo do pé de manga. Mas o sr. acha que a escola formal serve para alguma coisa?
Rocha - Ela serve para escolarizar. Ela dá um determinado tipo de informação e de conhecimento que atende um determinado tipo de demanda, um determinado tipo de modelo mental de uma sociedade que aceita, convive e não questiona.

Folha - Essa escola educa?
Rocha - Não. Ela escolariza. Uma coisa é falar em educação, outra é falar em escolarização. A maioria das pessoas que estão cometendo grandes crimes são pessoas escolarizadas. Então, que escola é essa? Para que ela serviu? Não ajudou nada, mas escolarizou. E essa escola continua sendo branca, cristã, elitista, excludente, seletiva, conformada. Ela seleciona conteúdos, seleciona pessoas, mas não educa.

Folha - O que significa a escola ser branca?
Rocha - Por exemplo, eu nunca tive aula sobre os reis do Congo, mas tinha aula sobre todos os Bourbons, reis europeus.

Folha - E conformada?
Rocha - A escola não permite inovação. Ela é reprodutora da mesmice. A escola formal não está só na forma. Ela está dentro da fôrma. O pior é quando ela está dentro do formol. É um cadáver. O conteúdo da escola está pronto e acabado. Os meninos que vão entrar na escola no ano que vem, independentemente de quem sejam, aprenderão as mesmas coisas, do mesmo jeito. Aprendem o que alguém determinou que tem que ser aprendido.

Folha - O que está errado com o conteúdo?
Rocha - Recentemente, uma menina de nove anos, lá em Curvelo, virou para mim e disse: "Tião, vou ter prova e esqueci o que é hectômetro". Eu disse a ela que ninguém precisa saber o que é isso, que não se preocupasse, isso não cairia na prova. Perguntei se ela sabia o que era centímetro, metro, quilômetro. Ela sabia. "Pronto, tá bom demais, você vai viver a vida inteira mais 15 dias e não vai acontecer nada", disse para ela. Passados uns dias: "Me ferrei. Caiu na prova e eu não sabia". Peraí: criança de nove anos tem que saber isso? Isso é conhecimento morto. Mas se eu pergunto se eu posso ensinar outra coisa, não posso. O que posso é ensinar as mesmas coisas de um forma diferente. No conteúdo não pode mexer. O vestibular cobra. É um processo seletivo que vai determinando e excluindo, afunilando, dizendo que, para entrar aqui, precisa pensar desse jeito, nessa lógica. Do ponto de vista da escolarização, tá indo muito bem. Agora, se tá educando ou não, ninguém discute. Quando uma criança é entrevistada e diz que é de determinado projeto porque quer ser alguém na vida, já sei que ela foi pessimamente educada. Um menino que aos 12 anos acha que não é ninguém na vida não tem mais auto-estima. Ele não é ele. Ela vai ser. É sempre um projeto adiado para o futuro.

Folha - Como deveria ser a educação?
Rocha - Um projeto de vida, não de formação para o mercado. A lógica da vida não é ter um emprego. Será que é possível construir um processo de uma escola que incorpore valores dignos, que passe a perceber que a ciência precisa estar condicionada a esses valores, que a tecnologia precisa estar condicionada a esses valores, que elas não podem ser determinantes dos valores humanos? Ter analfabetos não pode ser um problema econômico, é um problema ético. A experiência que a gente vem desenvolvendo no CPCD é saber se é possível fazer educação de qualidade. Claro que é. Só que você tem que botar uma pergunta que a gente sempre faz. É o MDI: "de quantas maneiras diferentes e inovadoras eu posso"... O resto você completa com uma ação: educar, alfabetizar, diminuir a violência, gerar mais renda. Quando a gente começa a fazer isso, aparecem 70 sugestões para alfabetizar, por exemplo. Vamos tentando uma por uma. Funcionou? Não? Risca. E vamos para a próxima. Quando chega na última, já tem mais tantas outras. Você não esgota o seu potencial de soluções para as crianças aprenderem.

Folha - Até onde vale criar soluções?
Rocha - Na educação, qual é a melhor pedagogia? É aquela que leva as pessoas a aprender. Na escolarização, a melhor pedagogia é aquela que dá mais sentido para quem a aplica. O CPCD foi secretário da Educação de Araçuaí. Lá tinha um problema: os meninos demoravam duas horas no ônibus. O que a gente fez? Colocou educadores no ônibus. Qualquer secretaria de Educação pode fazer. É só sair da caixa. Uma outra questão é o acesso aos livros. Há muitos anos, acompanhei a trajetória de dez crianças em Ouro Preto num período de seis, sete anos. Como eu sei se um aluno é da primeira, da segunda, da terceira série? É pelo tamanho da pasta. No primeiro ano, traz até uma mala. Leva tudo. Depois, vai deixando. No ginásio [quinta a oitava série], eles não levam quase mais nada. No colegial, às vezes leva só uma canetinha. Eu me perguntei se os livros perderam o encantamento ou se foi a escola que não soube mantê-los encantados. Juntei um monte de livros em baixo da árvore e mandava a meninada ir lendo. Em volta, deixava montinhos de sucata e escrevia uma placa: música, teatro, artes plásticas, literatura. Tudo que o menino lesse, tinha que ir numa direção e fazer música, teatrinho etc. É um jogo. Ler e transformar, do seu jeito. Eles ficavam lá a tarde inteira. Vinha gente de longe. Agora, por que será que esses meninos nunca tinham entrado numa biblioteca da escola? Porque ele não tinha prazer em entrar na biblioteca. Quando ia ler um livro, tinha que dissecar a obra, classificar o texto, responder a dez perguntas sobre aquele negócio. Em baixo da árvore, ele não tinha que responder a pergunta nenhuma. Era prazer, e não dever. Os livros não perderam o encantamento, portanto. Eu nunca li e detesto Machado de Assis. Por quê? Porque tive que fazer anatomia do livro. Achava um saco. Até hoje não consegui romper com isso.

Folha - Como enfrentar a falta de leitura?
Rocha - Faz chover livro na cabeça dos meninos. De todo jeito. Bornal de livros, algibeira de leitura, folia do livro, banco de livros, livro no ponto de ônibus. É igual propaganda. Como você quer que o cara não tome Coca-Cola? Vamos botar esse apelo para o livro. A gente foi tirando os meninos do estado de UTI. Vale tudo. É ético? É. Então, vale. Se nunca foi feito, a gente faz. Se errar, não tem problema. Temos que aprender.

Folha - Como você mexe no conteúdo? Tem um conteúdo básico?
Rocha - Claro. Tem que ter alguma coisa para começar. Precisa aprender os códigos de leitura, a a raciocinar e fazer cálculo, as quatro operações básicas. Mas não precisa saber o que é hectômetro.

Folha - Como diversificar? Ou por que diversificar?
Rocha - Há uns 20 anos, eu trabalhava bem no sertão. Tinha um projeto do governo para combater a doença de chagas na região. Parecia muito bom, as casas de adobe seriam substituídas por casas de cimento com condições de pagamento bem favoráveis. Mas não houve adesão dos moradores. O que os engenheiros não percebiam é que as casas pareciam um forno de tão quente. O pessoal do projeto dizia: "É uma questão de adaptação". Eu respondia: "Não começa, não. A casa de adobe resolve muito bem a questão térmica. Por que não fazem casa de qualidade com adobe naquele sertão?". Eles disseram que não sabiam fazer, que não aprendiam isso na faculdade de engenharia. Fiquei imaginando: eles não foram formados para fazer casas dignas para a população. Querem fazer em São Paulo e no sertão uma casa do mesmo tipo. Que lógica é essa? É a lógica do modelão. Hoje, entrou na moda fazer casa de adobe, é ecológico. Engraçado. Antes, as pessoas faziam casa assim. Aí vieram, cortaram a tradição, impuseram o modelão e, agora, querem voltar ao que se fazia antes, mas travestido de conversa nova.

Folha - Você é contra todo tipo de forma universalizante?
Rocha - Como padrão único, claro.

Folha - Você é a favor de uma transformação constante?
Rocha - Da diversidade permanente.

Folha - De uma pedagogia específica para cada pessoa?
Rocha - Não. O que não pode é aprender uma única coisa, todo mundo igual. Mas não é "cada um faz o que quer". O que não pode é dar pesos desiguais, ou seja, negar ou excluir coisas em função de critérios que são absolutamente ideológicos. É possível criar uma sociedade polivalente, diversificada? É, porque não foi feito ainda. Se ninguém fez, é possível. Isso é o que eu chamo de utopia. Utopia para mim não é um sonho impossível. É um não-feito-ainda, algo que nunca ninguém fez. possível aprender brincando? A escola tem que ser o serviço militar obrigatório aos sete anos ou pode ser prazerosa? Aí eu coloco um indicador: a escola ideal deve ser tão boa que professores e alunos desejem aulas aos sábados, domingos e feriados. Hoje, temos exatamente o contrário. Os meninos estão no século 21 e a escola está Idade Média. A escola é a única instituição contemporânea que tem servos, tem serventes, pessoas que estão lá para nos servir. Nem em banco tem isso, lá são "auxiliares de serviços gerais". Quando eu trabalhava na Universidade Federal de Outro Preto, por acaso eu virei pró-reitor. Acabei indo a uma reunião de pró-reitores com o secretário da Educação. Aquele discurso enfadonho estava me enchendo o saco, até que eu disse: "Nesse país, uma escola nunca teve crise de aprendizagem: a escola de samba. Uma assessora do secretário disse que aquilo era inadmissível e perguntou se eu achava que a escola pública tinha que ser "aquela bagunça". Eu respondi: "Tô vendo que a sra. não entende nada de escola de samba. Na escola tem disciplinador, não tem? Pois na escola de samba tem diretor de harmonia". Entende? Uma coisa é cuidar da disciplina, outra coisa é cuidar da harmonia.

Folha - Como nasce uma nova forma de ensinar?
Rocha - Ou da dificuldade ou da pergunta. Somos movidos por uma pergunta, que vira um desafio, que vira uma encrenca. É possível educar debaixo do pé de manga? É possível criar agentes comunitários de educação? Vamos ficar pensando ou vamos aprender fazendo? Vamos aprender fazendo. A primeira coisa que a gente fez foram os "Não Objetivos Educacionais". Porque formular um objetivo é muito simples: basta colocar um verbo na forma infinitiva e depois encher de lingüiça. O nosso verbo é o "paulofreirar", que só se conjuga no presente do indicativo: eu "paulofreiro", tu "paulofreiras" e por aí vai. Não existe "paulofreiraria", "paulofreirarei". Ou faz agora ou sai da moita. Ação e reflexão, agora. As respostas vão sendo testadas e viram novas metodologias, pedagogias. Assim surgiu a pedagogia da roda, por exemplo, como um jeito de combater a evasão dos meninos. Não podemos perder os alunos, precisamos mantê-los interessados.

Folha - Seus métodos são tão abertos a ponto de aceitar que uma criança queira aprender na escola formal? Ou você quer acabar com a escola?
Rocha - Eu não quero acabar com a escola. Ela é muito mais importante do que parece. Ela tá longe de esgotar seu repertório, não usou nem 10% das possibilidades. Mas, para isso, ela precisa ter a ousadia de experimentar. É uma lástima dar às crianças só o que a escola formal oferece. É muito pouco. As pessoas querem tirar os meninos da rua e levar para a escola --só se for para prender, porque para aprender não serve. É muito chato. Por que, em vez de tirar da rua, não mudamos a rua? Lugar de criança é na escola, na rua, em todos os espaços. Todos os espaços podem ser de aprendizado. Há experiências de cidades educativas muito legais.

Folha - Como é sua relação com os governos?
Rocha - Eu não vejo muita diferença. Todos eles estão dentro da mesma caixa, só muda a cor. A escola que tem agora não é muito diferente da de oito anos ou 20 anos atrás. Vai só pintando a fachada. A lógica, o processo, a metodologia muda muito pouco, no geral. A gente não consegue estabelecer alianças com os governos porque incomoda pensar fora da caixa. Se incomoda, são refratários. Então a gente vem aprendendo a fazer política pública não-governamental.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

quem procura encontra.

http://www.releituras.com/releituras.asp

Alô, alô, Realengo...




...macarrão

tomate

e poesia.

Mural é CULTURA.



Uma das coisas que gostava muito de realizar é montar murais. Ê tempo bão... Também gostava de colocar neles, histórias pequenas para não cansar o passante. Essa daí(na íntegra) foi copiada do mural da escola do meu filho. Ela ilustra bem a nossa mentalidade. Uma parte dela, de herança colonial.

HISTÓRIAS DE PORTUGAL

"Elas são muito ricas e contribuíram para a formação dos nossos mitos e lendas"
Os portuguses foram responsáveis pelo processo de mestiçagem que deu origem ao povo brasileiro, e algumas de suas histórias contribuíram para a formação dos nossos mitos, lendas e costumes. No Brasil, o Saci-Pererê, negrinho de uma perna só, é muito popular. Em Portugal, o Fradinho-da-Mão-Furada, uma espécie de duende caseiro, é um mágico que concede favores, mas também prega peças nos moradores da casa onde habita. Na cabeça, assim como o Saci, usa uma carapuça vermelha. A noite entra, entra nos quartos pelos buracos das fechaduras e deita e rola em cima das pessoas que estão dormindo , causando pesadêlos.

7 DE SETEMBRO, sentido!

Carlos Eduardo Novais: mais um desaparecido vivo:
Um intelectual sem babaquice!
UMA HOMENAGEM AO 7 DE SETEMBRO
de um Brasil cada vez com menos vozes.
Foto: Marden do Valle
(em breve vou publicar aqui a entrevista que fiz com o Novais)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Cadê meu pãozim de queiju...


liber
tas

qua...
quas
serás
tamem
quas..
libertas
?
cadê
UAI!


A UTOPIA e o resto late

OR AÍ?

A Utopia Luta, o Resto Corre Atrás da

Carruagem de Lixo Globalizado


Sei, você não sabe(mesmo!)“o que fazer”. Nem leu o manual do Lenin, aquele que dizia - "O Que Fazer"?- ou lançava alguma pista àquela realidade revolucionária da velha Rússia. É só um título de livro, uma referência, não vamos mais fazer nehuma revolução usando velhas formas de pensamento único. Tá bom? A realidade daqui é bem distante daquela, mas se procurar, encontra uma voz pregando no deserto. Leonardo Boff, Milton Santos, esse último antes de partir para fora do inferno dessa globalização e da vida em 2001, deixou um vácuo e um documento em imagens que é fundamental. Discordo apenas da análise, à época, que ele fez da China. Como se aquele país fizesse uma política não meramente capitalista, de mercado(bem predatória dentro e fora atualmente). Mas que, a China, estaria também ao lado dos que poderiam propor uma outra globalização. Duvideodó!

Vai lá, na página do cineasta-documentarista Silvio Tendler, que alguns techos(de muitos personagens fascinates) estão disponíveis também. Inclusive, 10 minutos de José Saramago, falando sobre democracia: http://www.listal.com/video/5789557 . A platéia, durante a fala dele, reconhece essa voz que fala o que nós precisamos ouvir. Um escritor de mãos dadas com Ariadine, que nos reconduz ao debate fora do labirinto da globalização. Enquanto nós somos distraídos, a maior parte do tempo, intencionalmente, para perdermo-nos dentro do labirinto das redes. Tudo que queremos é uma democracia ampla, ou nada. A virtualidade do poder não serve. Ele diz, tem razão.

Um fiozinho que nos conduza a saída em alguma utopia, o combate a mediocridade, por exemplo, seria belo para começar algum movimento em direção oposta a llógica dominante. O Minotauro da indústria da repressão, da vigia, dos tribunais contra a insurgência e da padronização da verdade da mídia requentada(fraca:editorialmente); tudo do mesmo dono, à serviço dos grandes conglomerados industriais e financeiros, o de sempre, não! Basta! Ah sim, a mediocridade, está mesmo em toda parte. Ó ela ai, passando... Que rebolado! É, tem razão, é medíocre, né? Uma bunda, mas todo mundo olha e, coisa e tal... Nem por isso, a gente deve concordar com a cultura bunda, cultura da bunda, cultura de bunda, ou com Bundialização da nossa cabeça! Pode ser?

Esse papo é com a minha consciência, sabe, com os meus botões... Vou logo avisando, para que ninguém vista a carapuça desnecessariamente. Podem ficar com a velha máscara, já acostumamos a vê-las grudadas as caras de pau. Velhos botões meus, velhos sim, inquietos, reflexivos, sem a babaquice desse tempo padronizado de Madona pop star, de visitinhas para faturar alto e pisar no solo sagrado, daquele que já foi o maior estádio do mundo. Meus botões, ufanistas sim, aqueles que não foram desligados, desvinculados, defenestrados, destruídos ou desconfigurados, pela lógica do capital vencedor e padronizador das mentes aceleradas em processo de derrocada. Amo a cultura nacional, que deveria estar minimamente num mesmo patamar das outras aqui dentro do país. Dizem eles, os botões.Mas estou aberto para outros olhares, sons, texturas, sentimentos!

Podem se sentir p... à vontade, quem os tiver também, botões sem sangue de barata! Aquele que não se dobrou, nem caiu na teia da hegemonia! Hegemonia, uma breve tradução: babação de ovo, concordância com os vencedores, noveleiros, positivistas, consumistas, escrotinhos, golpistas, safados travestidos de produtores culturais mamadores, dedo-duros, vendidos e ocupantes da coisa pública ilegitimamente ou empregados, que não tem dialética alguma ou inteligência para resistir, camaleões outros, merdas, primos da medusa em todos os campos profissionais...Gente do poder, qua vai rebolar o traseiro num baile funk, para fazer média com a população dominada(que dá voto e consome sem crítica tudo que descer guela abaixo), indicado pelo mundo fashion da Furação Skol latão e outras paradas que se põe pra dentro numa nice- sacudindo?

Mas, voltando, o capital de fato, as empresas de comunicação(sacodem geral e bagunçam corações e mentes mesmo!), que têm donos políticos nacionais e internacionais, ou testas de ferro, cujo o objetivo é um só: a manutenção da verdade única de sempre; sabem muito bem “O QUE FAZER!” O Olavo Setubal, do Itaú, anos antes de morrer disse “eu acredito em luta de classes. Só que o final, nós vencemos”. Ele é mais um, da turma que decretou o fim da história, que despachou a grande maioria dos intelectuais para linha de fundo(poço podre da omissão) e não para a crítica de fundo das linhas inimigas do poder. Vergonha! Não é à toa que um tal de Olavo, um outro Olavo que se diz filósofo, Ou Otávio não sei das quantas, escreve facistóides(factódes de cunho fascistas) sem ninguém se manifestar. Um sinal de rabo preso!


Gente que, bem verdade, ficou no raso para não ser soprado. E, diante da farinha pouca, teve seu pirão garantido primeiro. Conheço essa gente, a gente de sempre dos diários cariocas, paulistas... As medusas. Gente menos corajosa que o falecido Setubal, que não levou nada para o buraco, mesmo. Deixou as contradições expostas e o dinheiro acumulado aqui mesmo, em algum paraíso fiscal. Quem sabe a senha da bufunfa, continua vencendo, como prevera o banqueiro. Li um deles outro dia, dia igual ao de sempre da imprensa, com raríssima exceção em Fausto Wolff, Luiz Fernando Veríssimo, Hélio Gaspari e outros poucos. O Jota Carlos da Rádio MEC, Eduardo Fafardo e a turma de lá da RÁDIO MEC não marcam touca, É BEM VERDADE. Produzem muita coisa boa com músicos brasileiros. Com poucos recursos executam e produzem música de qualidade aqui, no BRASIL! Ah, mais é estatal... FODA-SE! Dá uma vontade de dizer...

Essa medusa, a que me refiro, dando uma pista, já mamou muiiiiiito nas tetas da velha e extinta Embrafilme. Foi uma daquelas que enriqueceu com a política, com o tráfico de influência da política-cultural no cinema antes do Collor detonar tudo e o FHC completar o serviço. Agora, sobrevive sem culpa, insensado com um dircurso psicanalítico "fala de amor", que produz e muita pirueta; muita gente boa que ouve a voz do cara no rádio ou vê na tevê dando lição de moral no PT(que tem o rabo preso com Celso Daniel, mensalão e por ai vai...), acredita ser de um arauto da moralidade. Essa medusa, escreve sobre tudo que acha que sabe. P.Q.P, que falta faz o Hélio Pelegrino, o Flávio Rangel, o Drummond, o Henfil !!! Cadê o Carlos Eduardo Novais, se exilou? Ou foi mais um colocado na geladeira da imprensa?Enquanto isso, medusas em profusão saltam das páginas! Chegam a lembrar aquele velho poema "OBSERVATÓRIO"(que é um livro inteiro, aliás) do Júlio Cortázar. Só que no poema, elas são enguias... Estão em todo lugar escorregadias, manhosas, bestas...

A medusa, essa em específico, fala que nasceu numa rua do bairro do Rocha, rua que mudou de nome no subúrbio carioca, que tem mesmo um monte de nomes que ninguém conhece. MAS ELE CONHECEMOS BEM, acredita que a pobreza é um passaporte para todo bom poeta, exemplarmente, aqueles que nasceram na barriga da miséria do samba. Diz que “se eles não cantassem elouqueceriam”. Não fala de dignidade, de história, de expressão, de herança, de criatividade, de utopia. Como se a criatividade, não estivesse numa necessidade de conhecer a si mesmo e de compartilhamento COM O OUTRO. O outro? É. "Eles não têm c. para dar conta"- diz, uma velha amiga. Então, tudo é tratado assim, como se fosse"tudo indústria" da cultura de massa, que ele bate hipocritamente ou endeusa conforme o vento estiver soprando. Mas aonde é que essa besta tabalha? Na Globo, nas organizações que tem o padrão do aúdio e da imagem de toda essa nação desfocada. Que faz a toca e desenrola o bob, as madeixas da MPB, por exemplo? Como conseguem verbas, empregos, nomeações, os filhos do famosos como se arrumam? Tadinhos. Fim do nepotismo já em todas as áreas da sociedade!!! Nas esferas de poder, só do Estado não vale, é café com leite!!!! Fim das oligarquias, de sempre, já!

Estúpida! Ela, a medusa, ataca "as massas emburrecidas" e fala da genialidade da sua filha, cineasta, uma das diretoras do documentário sobre os grandes da Portela. Ao falar que viu O Mistério do Samba, mais um documentário muito bem-vindo, aliás, assume a face de mercador, “ uma obra prima da filmografia do samba”-diz. No dia seguinte levou um bom pau de um crítico do mesmo jornal, CORAJOSO. Eu lembro que quando vi Buena Vista Social Club, lá por 2000, em Vitória-ES, durante um encontro de estudantes de história, lá naquela hora mesmo, tive a sensação de aprisionamento da nossa cultura. Uma cultura sequestrada, longe das pessoas que desejam aprender, que precisam falar, comer, escrever e pensar mais e melhor, para viver e prosseguir sonhando e fazendo parte de tudo que merecem. Não, Alhures, como se coitadas fossem. O BUENA VISTA SOCIAL CLUB desperta isso na gente.

Como é que ninguém havia pensado em fazer um FILME BOM, assim com a nossa gente, sobre o samba, poetas, escritores, gente mal paga(onde me incluo entre elas, sem ser gênio de p... nenhuma)? Deixaram todos morrerem. Em raros casos, o filme do Leon Hirziman(direção e roteiro do emocionante em “Eles Não Usam Black Tie”-1981), fez também o duro e ao mesmo tempo poético, Nelson Cavaquinho. Mais recentemente outros cineastas, relizaram um sobre o Cartola e outro sobre o Paulinho da Viola. Poucas fontes, mais nada. É POUCO! É muito bem-vindo o filme, O MISTÉRIO DO SAMBA, muitas mão boas o realizaram. Além, da filha dele, que está entre elas. O que não dá pra engulir é essa arrogância, de achar que todo mundo é tolo, que não sacou a intenção de divulgar o filme sem análise ou tentativa máxima de isenção. Tá no bolo, deixa outro metar a mão na massa. Sai de fininho, disfarça...

A medusa, para comparar a genialidade única e inquestionável do filme, chama o Win Wenderes, de "Win", cheio de intimidade.... Ainda, sem pudor, compara uma verdadeira obra prima, O filme, ficção-documentário, Buena Vista Social Club, como coisa de memos importância. As medusas são míopes. A míopia dessa, denominda de Jabor, não da conta da parentada das redações. Não não vê o que não interessa. O medusa Jabor está convidado par visitar o Jabour, um bairro, perto de Bangu, que viu o Hermeto Pascoal ir embora, advinha o porquê? Violência, descaso, o favorecimento dos centros e a periferia relegada ao nada. Aliás, periferia que também existe em Ipanema, New York e não é exclusividade, nossa daqui do subúrbio CARIOCA. Nós que ficamos por aqui temos também os nossos privilegiados, a elite dos nossos “centros”. Um monte de famílias em cada bairro, que troca-troca de poder no legislativo, judiciário e outras jogadinhas que essa democracia oferece(olha a dica do Saramago).

Enquanto isso, numa rara luz lançada do Recife, lá da Sucursal do mesmo veículo que escreve a medusa, Letícia Lins(pode ser e é mesmo que não seja, uma irmã de coração e atena do Paulo Lins, autor de “Cidade de Deus”) Ela, dá sentido as palafitas da favela do Bode, naquela cidade. Uma das centenas de metrópolis mergulhdas na violência em nosso planeta. Violência, que o Milton Santos denomina de desespero, daqueles que lutam para viver e estão no limite, partindo para o tudo ou nada, sem pensar muito nas consequências. A vala taí... O fuzilamento sumário é diário. A eliminação física indiscriminda e nem um pio sobre quem usou a bala, nem quem autorizou a lei do silêncio . O silêncio das grandes metrópolis, parece que está sendo substituído por iniciativas de gente anônima. Já que os intelectuais orgânicos ou não, o Estado e etc, não estão nem ai para mais esse problema. O problema da leitura, do acesso ao livro, encontra soluções criativas.

Letícia conseguiu furar o próprio jornal onde trabalha. Ela retratou a história das pessoa simples, de um rapaz que abriu uma biblioteca no barraco apertado. Botou as crianças para dentro, em mais uma favela do país, onde o tráfico e a polícia trocam tiro sem cerimônia. Aqui em Realengo, mais de mil livros apodrecem numa caixa d água gigante que fica num conjunto entre duas linhas de fogo, das favelas da Vintém e do Fumacê. O Conde, quando era Secretário de Cultura(até recentemente) esteve lá. Como é arquiteto, ficou encantado, desenhou um rebaixamento, abriu janeloões, tudo no papel ONDE CONTINUA. Não deu em nada. É um lugar pronto para ocupar, precisando de obras sim, de recursos sim. Mas muito pouco do que é perdido na burocracia, no desperdício, na mutreta e ou, em jogadas que não vemos nem como são realizadas; mas que acontecem com a corrosão de caráter comprovado pelas estatatística da corrupção do país, que está em quarto no quadro de medalhas da modalidade. Enfim, onde está a imprensa? Para onde foram os intelectuais de 68? Por qual motivo os cem mil foram para casa e não saíram mais de lá?

Será que foi pela violência que a globalização trouxe? Não pode ser. Salve Letícia! Salve quem não tem rabo preso! Salve quem fura esse bloqueio mental, social, econômico, jurídico, institucional, mesquinho, cultural e o escambau sem olhar só pra o póprio umbigo! Bota caminhando aí pra tocar outra vez... Repete, please.

EA


BIBLIOGRAFIA: Santos, Milton. Por uma Outra Globalização. Record.