sexta-feira, 3 de julho de 2009

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MENGÃO: deu no ig

Flamengo

Flamengo Flamengo Flamengolink

Fundação: 15 de novembro de 1895 Rio de Janeiro-RJ Estádio: José Bastos Padilha (Gávea) Capacidade: 8 mil pessoas Presidente: Marcio Braga Site oficial: www.flamengo.com.br


Clube de Regatas Flamengo


Quem diria que um clube que não apenas começou no remo, mas começou dando papelão nas regatas, se tornaria o mais popular clube de futebol do Brasil. Um grupo de amigos que se reunia no Café Lamas, no Largo do Machado, comprou seu próprio barco, fundou em novembro de 1895 o Grupo de Regatas do Flamengo e fez algumas tentativas – várias frustradas – de competir contra os maiores grupos de remo da época. Vestindo azul e dourado durante pouco mais de um ano, o clube custou para emplacar nas águas. Quando isso aconteceu, já era rubro-negro e já começava a olhar com curiosidade o movimento de popularização do futebol.

Tomemos Alberto Borgerth, por exemplo: de manhã, remava no Flamengo; à tarde, jogava bola no Fluminense. Tinha que ser assim: o Fla não era filiado a nenhuma liga de esportes terrestres (é...), apesar de que desde 1903 já arriscava alguns amistosos no estádio do Paissandu Atlético Clube. Assim foi até 1911, época em que o Tricolor das Laranjeiras vivia uma crise interna. Borgerth liderou uma diáspora que levou gente como Othon e Píndaro para o Flamengo. Era o que faltava para o clube começar a levar adiante a idéia de ser anfíbio: foi criado o Departamento de Esportes Terrestres e o time de futebol, que estreou oficialmente em 3 de maio de 1912, com uma fantástica goleada por 15 x 2 sobre o Mangueira.

Dois meses depois, os recém-tornados rubro-negros viram o Fluminense se vingar, com vitória por 3 x 2 no primeiro Fla-Flu da história. Mas, com a base que adquiriu já montada, o Flamengo logo obteve êxito e, com os gols do artilheiro Riemer, chegou ao bicampeonato de 14/15. Em 1920, o primeiro título “na terra e no mar”, coincidindo com a rapaziada do remo: foi o que abriu mais um bicampeonato, de 20/21, em que se destacaram Candiota, Junqueira, Sidney e Nonô – artilheiro também do título de 1925. Outro ano marcante foi o de 1927, quando o Flamengo foi suspenso da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos - por ter emprestado seu campo de treinos ao Paulistano - e perdeu quase todo o seu elenco. Os torcedores não admitiram, exigiram a revisão da decisão e, com uma atuação corajosa do atacante Moderato, que jogou a decisão contra o Vasco dois dias depois de uma cirurgia de apendicite, levou mais uma taça. Além dela, ainda saiu daquele ano eleito “o mais querido” em votação feita pelo Jornal do Brasil.


Time do Flamengo campeão carioca de 1939

O terreno em que o Mengo mandava seus jogos, arrendado pela família Guinle, teria que ser devolvido ao fim do contrato, em 1931. Por isso, o clube tratou de agilizar o aumento do patrimônio e a possibilidade de construir um estádio próprio. Quando a prefeitura do Rio cede uma área na região da Lagoa Rodrigo de Freitas, fica decidido que o projeto da vez seria erguer o estádio da Gávea. Não por acaso, foi nesse período que o Flamengo viveu seu maior jejum de títulos: até 1939, ano em que um timaço formado por Valido, Jarbas, Yustrich, Domingos da Guia e Leônidas da Silva passou por cima de todos os adversários e impediu, pela segunda vez em sua história, um tetracampeonato do Fluminense. Os tricolores, porém, tinham uma grande equipe, que voltou a conquistar o título estadual em 40 e 41. Cansado do domínio dos rivais, o presidente flamenguista Gustavo de Carvalho decidiu dar carta branca para o técnico Flávio Costa montar a o time que quisesses. E então surgiu uma verdadeira máquina, que tomou o Rio de Janeiro de assalto entre 42 e 44: apareceu Thomas Soares da Silva, o genial Zizinho – para muitos, o maior jogador do Brasil antes de Pelé – além Biguá, Jaime, Valido e o grande artilheiro Pirilo. Apesar de Jair da Rosa Pinto no meio-campo ao lado de Zizinho, o Flamengo não consegue o tetra: fica até o começo da década de 50 sem conquistar títulos. Pior: passa seis anos sem bater o Vasco, vê Zizinho ser vendido para o Bangu e a camisa de Jair ser queimada. Resumindo: era tempo de crise.

Nem o retorno de Flávio Costa – que havia saído para comandar o “Expresso da Vitória” vascaíno – resolve o jejum. Os dias de alegria só retornam à Gávea coma chegada de outro treinador, o paraguaio Fleitas Solich, que traz três conterrâneos seus, Benítez, Chamorro e García, e os escala junto a Jordan, Dequinha, Moacir e um ataque poderoso, com Joel, Evaristo de Macedo, Zagallo e Dida.


Ao centro, Almir Pernambuquinho
Era bom o bastante para mais um tricampeonato: entre 53 e 55, só deu Flamengo. Outra vez, o timaço foi desfeito, e o rubro-negro precisou esperar mais algum tempo até que a geração de Carlinhos, Nelsinho, Gérson e Almir Pernambuquinho desse ao clube seu primeiro título fora do Estado, o Rio-São Paulo de 61, e os títulos estaduais de 63 e 65. Depois daquilo, nos anos seguintes, o grande time do Botafogo tomou conta do Estado, e o feito mais digno de nota (ainda que negativa) por parte de um flamenguista foi a briga dantesca iniciada por Almir Pernambuquinho no Maracanã em 66, num jogo contra o Bangu.

As duas coisas parecem distantes uma da outra, mas a verdade é que aquela entressafra do final da década de 60 foi o que preparou a ascensão do grupo que faria do Mengo um dos clubes mais vencedores do Brasil. Ainda em 67, chegava ao juvenil da equipe, fraquinho e aparentemente inofensivo, um habilidoso meia nascido no bairro de Quintino.


Gazeta Press
Zico é o grande ídolo do Fla
Zico estreou entre os profissionais no ano de 71 e foi absolutamente coadjuvante no título carioca de 72 – ano em que Jorge Bem imortalizou o desengonçado e adorado Fio Maravilha. Foi só dois anos depois, em mais uma conquista rubro-negra, que o garoto passou a ser titular. Em outra vitória, a de 78 – com gol do “Deus da raça” Rondinelli – Zico já brilhava, comandando aquilo que seria um tricampeonato, junto a Júnior, Andrade, Nunes, Cláudio Adão e Tita, além dos veteranos Raul Plassmann e Carpegiani. Com um esquadrão e a moral de quem era tricampeão estadual, o Mengo viveu seu período perfeito: conquistou seu primeiro Brasileirão em 80, ao derrotar o Atlético-MG, e assim se classificou para a Libertadores do ano seguinte. Com Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico, não havia quem pudesse com o rubro-negro: nem o Cobreloa na decisão da Libertadores, nem os ingleses do Liverpool, na final da Copa Intercontinental no Japão: com dois de Nunes e um de Adílio, um 3 x 0 implacável fez do Mengo o segundo clube brasileiro após o Santos de Pelé a ser coroado como melhor do mundo. A equipe praticamente se manteve inalterada, e isso era sinônimo de mais conquistas: time nenhum no Brasil podia com o Flamengo, o que ficou comprovado com mais dois títulos nacionais, em 82 e 83.

A saída de Zico para a Udinese, da Itália, poderia ter significado o fim daqueles ótimos tempos. Mas nem o Galinho de Quintino queria que fosse assim, nem as categorias de base do Flamengo permitiriam: em 85, Zico retorna ao Flamengo e capitaneia uma geração brilhante, com Aldair, Leonardo, Jorginho, Bebeto, Zinho e Renato Gaúcho. Poderia ser a geração que conquistou o quarto título brasileiro daquela década, mas a malfadada “Copa União”, com seus módulos verde e amarelo não permitiu que fosse exatamente assim. Oficialmente, para a CBF, o campeão brasileiro daquele ano é o Sport, que não enfrentou nenhuma grande equipe do futebol do País. Foi a última conquista de Zico antes de sua aposentadoria, em 89. Restou, para comandar o time à base de experiência e sabedoria, Júnior: transformado em meio-campista depois de veterano, ele foi a alma por trás da geração de jovens recém-saídos do juvenil que levantou a Copa do Brasil de 1990, ao derrotar o Goiàs: Djalminha, Marquinhos, Júnior Baiano, Paulo Nunes, Nélio, Piá...


Divulgação
Júnior comemora seu gol no Brasileiro de 92
Com eles todos, mais Gaúcho e o já experiente Zinho, o Flamengo seguiu passo a passo a batuta do maestro Júnior e venceu, agora de forma oficial, seu quarto Brasileirão: um inesquecível 3 x 0 sobre o Botafogo no primeiro jogo – dia em que parte da arquibancada do Maracanã tragicamente desabou – abriu o caminho para o título brasileiro de 92.

O centenário do clube até pareceu dar motivos para comemoração: melhor jogador do mundo na época, Romário foi tirado do Barcelona e chegou a um time que prometia mundos e fundos à torcida. Acabou foi frustrado pelo gol de barriga marcado por Renato Gaúcho para o Fluminense, na vitória por 3 x 2 na decisão do estadual. Em vez de investir no que vinha dando certo há décadas – a formação de um verdadeiro time, parte com contratações, parte com jovens da divisão de base -, o então presidente Kléber Leite insistiu na política do gasto financeiro e dessa vez trouxe Edmundo. Junto com o prata da casa Sávio, aquele supostamente seria o melhor ataque do mundo, mas virou uma das piadas preferidas de todo rival flamenguista. Só no ano seguinte ao do centenário, 1996, é que o Mengo volta a vencer: com Djair, Iranildo e Amoroso, termina o carioca invicto. Entram e saem jogadores, dinheiro é depositado e sacado dos cofres do Flamengo num ritmo alucinante. Assim acabou o mandato de Kléber Leite e de forma parecida começou o do próximo presidente, Edmundo Santos Silva: Rodrigo Mendes, Lê e Reinaldo, revelados na Gávea, dão o título da Copa Mercosul de 1999 ao time, mas um contrato fechado no fim daquele ano com a empresa de marketing esportivo suíça ISL possibilitou a chegada de mais reforços grandiosos para se juntarem a nomes como Athirson e Fábio Baiano.


Divulgação
Petkovic deu alegria aos rubro-negros
Alguns tiveram brilho momentâneo, como Edílson, Gamarra e Vampeta, e alguns foram verdadeiros ídolos de um tricampeonato 99/01 que foi fechado com a melhor chave de ouro imaginável: um gol espetacular, de falta, aos 44 minutos do segundo tempo, contra o Vasco. O sérvio Petkovic, que já era querido da torcida, nesse dia virou definitivamente um dos heróis rubro-negros.

Começou, então, outra fase de sofrimento; este inédito e maior do que nunca: a ISL faliu e deixou o clube órfão de parceiro; Edmundo Santos Silva foi afastado do cargo, acusado de desvio de verba; o Mengo esteve perto do rebaixamento no Brasileirão. Os altos e baixos passaram a ser o padrão: duas finais de Copa do Brasil – 2003 e 2004 – e um título carioca comandado por Ibson, Felipe, Jean e Zinho. Após um ano que se aproximou do desastre no Brasileiro, a segunda Copa do Brasil viria em 2006, quando se destacam Jônatas, Renato e o já folclórico Obina. O ano de 2007 parece trazer o conceito de time de volta à Gávea: Leonardo Moura, Renato Augusto, Fábio Luciano, Juan, Souza e companhia são a esperança de, cada vez mais, o Flamengo ter novos dias de sucesso estável e constante.


Gazeta Press
Íbson apareceu e brilhou no time do Flamengo nos anos de 2003 e 2004

*Atualizado em 6 de junho de 1992

PARA NÃO SER UM E-MALA

PARA NÃO SER UM E-MALA...


REPRODUZO E ESTOU, CONFESSO, APRENDENDO....
UM FORTE ABRAÇO! EDU.


RICARDO NEVES

05/02/2007 - 16:16 | Edição nº 453

SUA BÚSSOLA

O manual da etiqueta digital



Você já andou de elevador ouvindo um passageiro falando ao celular? Já desceu do 30o ao 1o andar ao lado de um tipo que fala bem alto ao telefone? Que não se dá conta de que a exposição da própria privacidade vai deixando as pessoas ao redor constrangidas? E o que dizer dos mais estapafúrdios toques de celular em plena sessão de cinema, no teatro, no meio de um concerto?

Tem gente que atende celular no banheiro público do aeroporto e entabula conversa quando ainda está fazendo pipi. A questão é: as novas ferramentas digitais do cotidiano trazem consigo uma nova etiqueta.

Temos de aprender logo certas regrinhas, caso contrário a vida social se torna um fardo insuportável. No caso do e-mail, também temos de fazer um esforço maior para que o uso dessa ferramenta se torne mais elegante, social e civilizado - não apenas dentro das empresas, mas também em nossa vida privada cotidiana. Quer ver algumas situações
de uso inadequado de e-mail?

Você certamente tem algum amigo do tipo "encaminhador enlouquecido". É aquele que ama enviar cópias dos e-mails que ele recebeu de outras pessoas. Em geral, são mensagens com anexos que contêm poemas, apresentações, piadas etc. Quase nunca esse amigo adiciona à mensagem que encaminhou para você uma linha pessoal, algo como "lembrei de você quando li isso". Alguém precisa dizer a ele que existem poucas coisas mais chatas e tediosas que receber mensagens impessoais com material que se propaga como vírus na internet. Evite ao máximo encaminhar qualquer coisa. Quando o fizer, torne sua mensagem pessoal.

É melhor aprender logo as novas regras. Caso contrário, você pode virar um "e-mala"

Outra ocorrência desagradável é receber e-mails de um amigo promotor social. Os e-mails vêm com uma lista enorme de destinatários, amigos e colegas dele. Estão lá conhecidos de infância, ex-namoradas, inimigos, chatos. E a maior parte dessas pessoas você nem mesmo conhece. Copiadores ensandecidos também são um problema. Eles adoram o "cc:"; quase todos os e-mails que enviam vêm com cópia para mais alguém. Na empresa, eles pretendem manter informados simultaneamente o diretor e o gerente, o estagiário e o chefe - sem esquecer colegas de outras filiais e fornecedores.

Mais uma regra: nunca escreva o campo "assunto" todo em maiúsculas, para chamar a atenção para seu e-mail. Assim como falar alto dentro do cinema ou furar fila, isso é considerado falta de educação no manual da etiqueta digital. Outra lei de ouro está no tamanho do e-mail. Os ótimos vêm na forma de um parágrafo com até meia dúzia de linhas. Os extensos porém ainda aceitáveis, para tratar de assuntos importantes, têm até três parágrafos. Textos maiores que isso costumam aborrecer mais que informar.

Ao enviar qualquer anexo, tenha certeza de que o destinatário tem absoluto interesse em receber o material. De preferência, consulte-o antes de enviar. E, claro, tenha cuidado também com o tamanho do arquivo. Nunca parta do pressuposto de que um e-mail importante foi recebido - e lido. A mensagem pode ter sido equivocadamente bloqueada pelos filtros do administrador do sistema da empresa ou do provedor da pessoa para quem você enviou. Aprenda a usar e-mail com sinalizador que pede ao destinatário que indique se o mesmo foi lido. Se a pessoa for atenciosa e cortês, sinalizará quando abrir e ler sua mensagem.

Para assuntos superimportantes, não mande e-mail. Telefone. É bom aprender rápido a nova etiqueta do mundo digital. Caso contrário, seu endereço de e-mail pode entrar na lista daqueles a serem barrados por filtros anti-spam. Ou você pode acabar descobrindo que falam pelas suas costas que você é um "e-mala".

RICARDO NEVES é consultor de empresas e autor de Pegando no Tranco - O Brasil do Jeito Que Você Nunca Pensou.
www.ricardoneves.com.br
rneves@edglobo.com.br

quinta-feira, 18 de junho de 2009

JÁ RAIOU A LIBERDADE DE IMPRENSA :SUPREMO 8X1

JORNALISTAS SOMOS TODOS!!!!!
QUEM NÃO FOR CORPORATIVISTA VAI CONCORDAR. NÃO RELATIVIZO. SER JORNALISTA É UMA VOCAÇÃO. ESCREVER É UMA DISCIPLINA PÚBLICA . PARTICIPEI DA LUTA CONTRA O DIPLOMA. CONHEÇO VÁRIOS JORNALISTAS COMPETENTES ATUANDO SEM DIPLOMA, POIS ANTES DE 1973, LEMBRO, O DIPLOMA NÃO ERA OBRIGATÓRIO. SENDO UM CASUÍSMO DA DITADURA PARA IMPEDIR ENGENHEIROS, HISTORIADORES,.MÉDICOS, OPERÁRIOS, GRÁFICOS(de onde vim) DE ESCREVEREM CONTRA . LEMBRO O GRANDE TARSO DE CASTRO(QUE ESTÁ GARGALHANDO NO CÉU). UM GRÁFICO QUE ESCREVEU NO PASQUIM, NA FSP, ONDE PRECISAVA DE UMA VOZ O CARA ESTAVA LÁ.
DURANTE E APÓS A CONSTITUINTE A RESERVA DE MERCADO TAMBÉM FOI GARANTIDA. INFELIZMENTE, EM 1989, NA FACHA, LÁ ESTAVA A VELHA ESQUERDA TODA REUNIDA NUM DEBATE. QUESTIONAMOS A MANUTENÇÃO DO DIPLOMA E O GANHO DA F.A.C.H.A E OUTRAS COM ISSO. SERGIO AROUCA NOS REPELIU. AFINAL A FENARJ E OS SIND DOS JORNALISTAS ESTAVAM NAS MÃOS DELES. A ESQUERDA QUE NÃO QUER FAZER NADA... PARA MUDAS AS COISAS QUE PRECISAM DE ENFRENTAMENTO.
UM DIA HISTÓRICO COMO ESTE DEVE SER COMEMORADO PELOS DEMOCRATAS
EDUARDO.
P.S. O PCEBÃO VAI SAIR DA REDAÇÃO DO GLOBO AGORA. JÁ NÃO TERÁ MAIS UTILIDADE. O ROBERTo MARINHO MORREU DUAS VEZES.. HOJE ACABOU A RESERVA. EMBORA, JÁ NÃO SEJA MAIS NECESSÁRIA. POIS A INTERNET ROUBOU A CENA.








O Globo
País
17/06/2009
19h23min

STF derruba a obrigatoriedade do diploma de jornalista

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/06/17/stf-derruba-obrigatoriedade-do-diploma-de-jornalista-756381129.asp


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Notícias STF

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Supremo decide que é inconstitucional a exigência de diploma para o exercício do jornalismo
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=109717

Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira, que é inconstitucional a exigência do diploma de jornalismo e registro profissional no Ministério do Trabalho como condição para o exercício da profissão de jornalista.

O entendimento foi de que o Decreto-Lei 972/1969, baixado durante o regime militar, não foi recepcionado pela Constituição Federal (CF) de 1988 e que as exigências nele contidas ferem a liberdade de imprensa e contrariam o direito à livre manifestação do pensamento inscrita no artigo 13 da Convenção Americana dos Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica.

A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 511961, em que se discutiu a constitucionalidade da exigência do diploma de jornalismo e a obrigatoriedade de registro profissional para exercer a profissão de jornalista. A maioria, vencido o ministro Marco Aurélio, acompanhou o voto presidente da Corte e relator do RE, ministro Gilmar Mendes, que votou pela inconstitucionalidade do DL 972.

Para Gilmar Mendes, “o jornalismo e a liberdade de expressão são atividades que estão imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensados e tratados de forma separada”, disse. “O jornalismo é a própria manifestação e difusão do pensamento e da informação de forma contínua, profissional e remunerada”, afirmou o relator.

O RE foi interposto pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Sertesp) contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que afirmou a necessidade do diploma, contrariando uma decisão da 16ª Vara Cível Federal em São Paulo, numa ação civil pública.

No RE, o Ministério Público e o Sertesp sustentam que o Decreto-Lei 972/69, que estabelece as regras para exercício da profissão – inclusive o diploma –, não foi recepcionado pela Constituição de 1988.

Além disso, o artigo 4º, que estabelece a obrigatoriedade de registro dos profissionais da imprensa no Ministério do Trabalho, teria sido revogado pelo artigo 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969, mais conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica, ao qual o Brasil aderiu em 1992. Tal artigo garante a liberdade de pensamento e de expressão como direito fundamental do homem.

Advogados das partes

Essa posição foi reforçada, no julgamento de hoje, pela advogada do Sertesp, Taís Borja Gasparian, e pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. A advogada sustentou que o DL 972/69 foi baixado durante o regime militar e teve como objetivo limitar a livre difusão de informações e manifestação do pensamento. Segundo ela, o jornalista apenas exerce uma técnica de assimilação e difusão de informações, que depende de formação cultural, retidão de caráter, ética e consideração com o público.

Em apoio à mesma tese, o procurador-geral da República sustentou que a atual legislação contraria o artigo 5º, incisos IX e XIII, e o artigo 220 da Constituição Federal, que tratam da liberdade de manifestação do pensamento e da informação, bem como da liberdade de exercício da profissão.

O advogado João Roberto Piza Fontes, que subiu à tribuna em nome da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), advertiu que “o diploma não impede ninguém de escrever em jornal”. Segundo ele, a legislação dá espaço para os colaboradores com conhecimentos específicos em determinada matéria e, também, para os provisionados, autorizados a exercer o jornalismo onde não houver jornalista profissional formado nem faculdade de Comunicação.

Segundo ele, o RE é apenas uma defesa das grandes corporações e uma ameaça ao nível da informação, se o jornalismo vier a ser exercido por profissionais não qualificados, assim como um aviltamento da profissão, pois é uma ameaça à justa remuneração dos profissionais de nível superior que hoje estão na profissão.

Também em favor do diploma se manifestou o a advogada Grace Maria Mendonça, da Advocacia Geral da União (AGU). Ela questionou se alguém se entregaria na mão de um médico ou odontólogo, ou então de um piloto não formado. Segundo ela, não há nada no DL 972 que contrarie a Constituição Federal. Pelo contrário, ele estaria em plena consonância com a Carta.

Votos

Ao acompanhar o voto do relator, a ministra Cármen Lúcia disse que a CF de 1988 não recepcionou o DL 972. “Não há recepção nem material nem formal”, sustentou ela. Além disso, a ministra considerou que o artigo 4º do DL contraria o artigo 13 do Pacto de San Jose da Costa Rica.

No mesmo sentido votou o ministro Ricardo Lewandowski. Segundo ele, “o jornalismo prescinde de diploma”. Só requer desses profissionais “uma sólida cultura, domínio do idioma, formação ética e fidelidade aos fatos”. Segundo ele, tanto o DL 972 quanto a já extinta – também por decisão do STF – Lei de Imprensa representavam “resquícios do regime de exceção, entulho do autoritarismo”, que tinham por objeto restringir informações dos profissionais que lhe faziam oposição.

Ao também votar pelo fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, o ministro Carlos Ayres Britto distinguiu entre “matérias nuclearmente de imprensa, como o direito à informação, criação, a liberdade de pensamento”, inscritos na CF, e direitos reflexamente de imprensa, que podem ser objeto de lei. Segundo ele, a exigência do diploma se enquadra na segunda categoria. “A exigência de diploma não salvaguarda a sociedade para justificar restrições desproporcionais ao exercício da liberdade jornalística”, afirmou.

Ele ponderou, no entanto, que o jornalismo continuará a ser exercido por aqueles que têm pendor para a profissão, sem as atuais restrições. Ao votar contra elas, citou os nomes de Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Resende, Manuel Bandeira, Armando Nogueira e outros como destacados jornalistas que não possuíam diploma específico.

Por seu turno, ao votar com o relator, o ministro Cezar Peluso observou que se para o exercício do jornalismo fossem necessárias qualificações como garantia contra danos e riscos à coletividade, uma aferição de conhecimentos suficientes de verdades científicas exigidas para a natureza do trabalho, ofício ou profissão, o diploma se justificaria.

Entretanto, segundo ele, “não há, no jornalismo, nenhuma dessas verdades indispensáveis”, pois o curso de Comunicação Social não é uma garantia contra o mau exercício da profissão.

“Há riscos no jornalismo?”, questionou. “Sim, mas nenhum é atribuível ao desconhecimento de verdade científica que devesse governar a profissão”, respondeu, ele mesmo.

Ele concluiu dizendo que, “há séculos, o jornalismo sempre pôde ser bem exercido, independentemente de diploma”.

O ministro Eros Grau e a ministra Ellen Gracie acompanharam integralmente o voto do relator, ministro Gilmar Mendes.

Último a proferir seu voto no julgamento, o decano da Corte, ministro Celso de Mello, acompanhou o relator do recurso. O ministro fez uma análise histórica das constituições brasileiras desde o Império até os dias atuais, nas quais sempre foi ressaltada a questão do livre exercício da atividade profissional e acesso ao trabalho.

Ainda no contexto histórico, o ministro Celso de Mello salientou que não questionaria o que chamou de “origem espúria” do decreto-lei que passou a exigir o diploma ou o registro profissional para exercer a profissão de jornalista, uma vez que a norma foi editada durante o período da ditadura militar.

Para o ministro, a regra geral é a liberdade de ofício. Ele citou projetos de lei em tramitação no Congresso que tratam da regulamentação de diversas profissões, como modelo de passarela, design de interiores, detetives, babás e escritores. “Todas as profissões são dignas e nobres”, porém há uma Constituição da República a ser observada, afirmou.

Divergência

Ao abrir divergência e votar favoravelmente à obrigatoriedade do diploma de jornalista, o ministro Marco Aurélio ressaltou que a regra está em vigor há 40 anos e que, nesse período, a sociedade se organizou para dar cumprimento à norma, com a criação de muitas faculdades de nível superior de jornalismo no país. “E agora chegamos à conclusão de que passaremos a ter jornalistas de gradações diversas. Jornalistas com diploma de curso superior e jornalistas que terão, de regra, o nível médio e quem sabe até o nível apenas fundamental”, ponderou.

O ministro Marco Aurélio questionou se a regra da obrigatoriedade pode ser “rotulada como desproporcional, a ponto de se declarar incompatível” com regras constitucionais que preveem que nenhuma lei pode constituir embaraço à plena liberdade de expressão e que o exercício de qualquer profissão é livre.

“A resposta para mim é negativa. Penso que o jornalista deve ter uma formação básica, que viabilize a atividade profissional, que repercute na vida dos cidadãos em geral. Ele deve contar com técnica para entrevista, para se reportar, para editar, para pesquisar o que deva estampar no veículo de comunicação”, disse o ministro.

“Não tenho como assentar que essa exigência, que agora será facultativa, frustando-se até mesmo inúmeras pessoas que acreditaram na ordem jurídica e se matricularam em faculdades, resulte em prejuízo à sociedade brasileira. Ao contrário, devo presumir o que normalmente ocorre e não o excepcional: que tendo o profissional um nível superior estará [ele] mais habilitado à prestação de serviços profícuos à sociedade brasileira”, concluiu o ministro Marco Aurélio.


***

Folha Online
17/06/2009 - 19h16

Supremo derruba exigência do diploma para jornalistas
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u582417.shtml

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

Por 8 a 1, o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou hoje a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Só o ministro Marco Aurélio Mello votou pela manutenção do diploma.

O primeiro a votar foi o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, relator do caso. Mendes defendeu a extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista.

Na avaliação do presidente do STF, o decreto-lei 972/69, que estabelece que o diploma é necessário para o exercício da profissão de jornalista, não atende aos critérios da Constituição de 1988 para a regulamentação de profissões.

Mendes disse que o diploma para a profissão de jornalista não garante que não haverá danos irreparáveis ou prejudicar direitos alheios.

"Quando uma noticia não é verídica ela não será evitada pela exigência de que os jornalistas frequentem um curso de formação. É diferente de um motorista que coloca em risco a coletividade. A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão", disse.

O voto de Mendes foi seguido pelos ministros Carmen Lucia, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso Mello.

"Esse decreto é mais um entulho do autoritarismo da ditadura militar que pretendia controlar as informações e afastar da redação dos veículos os intelectuais e pensadores que trabalhavam de forma isenta", disse Lewandowski.

Os ministros do STF aceitaram o recurso interposto pelo Sertesp (Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo) e Ministério Público Federal contra a obrigatoriedade do diploma.

Em novembro de 2006, o ministro Gilmar Mendes, relator do caso, havia decidido liminarmente pela garantia do exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área. Hoje, o plenário confirmou a decisão.

Argumentos

A advogada do Sertesp, Tais Gasparian, argumentou aos ministros que a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo é inconstitucional porque a Constituição de 1988 garante a liberdade de expressão e do livre pensamento. Ela disse ainda que a profissão de jornalista não depende de conhecimentos técnicos.

"A profissão não depende de um conhecimento técnico específico. A profissão de jornalista é desprovida de técnicas. É uma profissão intelectual ligada ao ramo do conhecimento humano, ligado ao domínio da linguagem, procedimentos vastos do campo do conhecimento humano, como o compromisso com a informação, a curiosidade. A obtenção dessas medidas não ocorre nos bancos de uma faculdade de jornalismo."

A advogada afirmou ainda que em outros países, como Estados Unidos, França Itália e Alemanha, não há a exigência do diploma. "Nos EUA, a maioria esmagadora dos jornalistas é formada em escola, mas nem por isso se obriga a exigência de diploma", afirmou.

Já o advogado da Fenaj, João Roberto Fontes, saiu em defesa do diploma. Ele disse que há a necessidade do diploma para garantir a boa prática do jornalismo. "A exigência do diploma não impede ninguém de escrever em jornal. Não é exigido diploma para escrever em jornal, mas para exercer em período integral a profissão de jornalista. O jornalismo já foi chamado de quarto Poder da República. Será que não é necessário o conhecimento específico para ter poder desta envergadura? Um artigo escrito por um inepto poderá ter um efeito devastador e transformar leitores em vítimas da má informação", afirmou.

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por sua vez, disse que a obrigatoriedade do diploma pode prejudicar a informação do leitor.

"Não se pode fechar os olhos para o fato de que jornalismo é uma atividade multidisciplinar e que muitas notícias e artigos são prejudicados porque são produzidos apenas por um jornalista especialista em ser jornalista, sendo que em muitos casos essa informação poderia ter sido produzida por um jornalista com outras formações, com formação específica em medicina, em botânica, com grande formação acadêmica, mas que não pode exercer o jornalismo porque não tem diploma. Não se pode desprezar esse contexto", disse.

Lei de Imprensa

No final de abril, o Supremo decidiu revogar a Lei de Imprensa, criada no regime militar. Com isso, os jornalistas e os meios de comunicação serão processados e julgados com base nos artigos da Constituição Federal e dos Códigos Civil e Penal.

Nos crimes contra a honra --calúnia, injúria e difamação--, o julgamento será feito com base no Código Penal, que tem punição mais branda que a Lei de Imprensa. Já os pedidos de indenização por danos morais e materiais serão julgados com base no Código Civil.

O direito de resposta, segundo o ministro do STF Menezes de Direito, não precisa de regulação pois já está previsto na Constituição, em seu artigo 5.

Já o presidente do STF, Gilmar Mendes, defendeu uma norma específica para tratar do direito de resposta. 'Não basta que a resposta seja no mesmo tempo, mas isso tem que ser normatizado. Vamos criar um vácuo? Esse é o único instrumento de defesa do cidadão.'

Sem essa norma específica, os juízes decidirão sobre o direito à resposta, seu tamanho e forma de publicação.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

WILSON MARTINS SALVA DOM QUIXOTE DO VEXAME

VIVA O CAVALEIRO COMBATENTE DAS SOMBRAS DA IGNORâNCIA


Poesia, é o que diz o livro com as pinturas do ROMANELLI,
(a mão em casa para quem precisar)
ROMNANELLI, tem vários "DOM QUIXOTES" que representam a expressão da atualidade.



Bom... para começar sempre admirei o personagem de Cervantes, o tal Quixote. Muito por ser ele um andante. Estar em movimento é uma das maiores virtudes do personagem e de qualquer um outro "PERSONAGEM HUMANO".

As vários outras qualidades humanas do personagem que devem ser analisadas por quem entrar em contato com o clássico. De minha parte fico com a idéia da amizade, romantismo, lealdade, coragem, "a poesia em movimento", DE TODAS ESSAS situações que Cervantes cria com Dom Quixote e a partir dele e de Sancho.

Outro dia me vi atravessado por uma idéia relacionada a obra. Dizia JOÃO, que fique assim o nome, professor de história, que pedia que os seus alunos tomassem contato com obra, recomendando a escola(mui tradicionalmente), que indicasse o livro para compra e trabalho: "por ele representar a fase do fim do feudalismo e início do renascimento e que "Cervantes, afinal, ridicularizava, através de um personagem amalucado, a cavalaria, para demonstrar sua decadência e fim do feudalismo".

BOM...

Oriundo do tempo do meu velho pai, que completou 79, segunda passada, ele que sempre dizia e anda esquecido da expressão, incorretíssima, mas de certa forma cavalaresca, de que "quando um burro fala o outro abaixa a orelha", ruminei um bom tempo a estória do JOÃO. Um cara inteligente, generoso, amante do trabalho que realiza, portanto, sujeito a falha como eu e meu pai. JOÃO, CASO VOCÊ SE RECONHEÇA, liga não, viu? Estamos dialogando com a vida. A vida é ficção. Sou zen budista e sigo este princípio, sem fim. Os exemplos servem de sinal, o diálogo, a correção de rumo e, estão sempre em movimento, como, alías, Quixote e seu amigo Sancho. Nada deve ter muita importância. Somos todos vítimas das nossas "certezas", que são flexas no atiradas no ar pelo arqueiro dentro da nossa mente inquieta.


Quando "
eu"
tinha alunos, (tinha mesmo?!) socraticamente desafiava-os a duvidarem sempre de mim. Nós, professores de história, dos livros didáticos, das metas, sem recursos para viajar, fazer cursos, comprar livros, engessados por grades curriculares e desistímulos de todos os lados, temos muitas situações para dar conta. Além, desta, de andar buscando, pesquisando, dando sorte ao tropeçar em algo relevante publicado na imprensa. Imprensa, ESSE prenssadão que a gente engole todo dia e que de vez em quando vem bom COM ALGUM MOLHO.


REPRODUZI NA ÍNTEGRA catamilhografando PARA O BEM GERAL o artigo de ouro abaixo.

Saudações Históricas!
Eduardo

OS DOIS CERVANTES-
WILSON MARTINS(artigo na íntegra catomilhografado
por esta besta que vos abaixa a orelha e copia para maiores esclarecimentos)


NÃO SOMOS UM PAÍS de cervanistas, tomando ainda mais excepcionais(nos dois sentidos da palavra) um livro como a Viagem ao Mundo de Dom Quixote(1950), de Josué Montello, o ensaio de Ivan Junqueira com que se abre Cinzas do Espólio(Rio: Record, 2009). O primeiro foi escrito provavelmente para concorrer ao prêmio instituído em 1947 pelos serviços culturais da Embaixada da Espanha para o melhor artigo jornalístico daquele ano nas comemorações do quarto centenário de Cervantes. Também aspirei essa distinção(havia manhãs, havia jardins naquele tempo!)com o "Estudo sobre Cervantes", publicado no O Jornal, do Rio, a 7 de setembro de 1947.

A Comissão julgadora, de que fazia parte e na qual foi certamamente voz preponderante a poetisa Cecília Meireles, concluiu,entretanto, que nenhum dos trabalhos aparecidos merecia a honrosa distinção, frustrando-se com esse veredito extremamente severo uma das raras oportunidades surgidas entre nós para despertar o interese pelo tema e, com isso, desenvolver em noso país os estudos cervantinos. A leitura do ensaio montelliano mais de meio século depois permite alguma dúvida, se não sobre a competência, pelo menos sobre a isenção da comissão julgadora, fato, aliás, corriqueiro na atribuição de prêmios literários. Seja como for, Josué Montello escreveu sobre Quixote um ensaio não apenas informado sobre a abundante bibliografia do tema, ms comparável, em qualidade e finura de interpretação, ao que nele existe de melhor, sem excluir, claro está, os especialistas espanhóis mais destacados.


De minha parte, observei, àquela altura, nas primeiras linha do artigo de 1947, que 'quem tenha lido somente El ingenioso hidalgo Dom Quixote de la Mancha, e se esse mal-afortunado leitor conhecer, além de Quixote, apenas os estremezes e trabalhos satíricos do autor de Galatéa, pode-se dizer que conhece apanas uma face, talvez a menos fiel, do genial escritor espanhol, ainda que a sua verdadeira personalidade esteja aparecendo a todo momento ao olhos menos distraídos". De fato, pode-se pensar a exegese cervantina repousa sobre o equívoco colossal que é emcarar o Quixote única obra "autêntica" de Cervantes, todos os demais textos e, em particular, as novelas exemplares, como trabalhos de circunstância, claramente secundários. Assim, por exemplo, ao organizar por volumes o vato material do 1° Congresso Internacional sobre Cervantes, Manuel Criado do Val dividiu-os em duas partes, uma intitulada "Cervantes y sua obras menores"(comédias, entremezes, as Novelas exemplares etc.) e a outra consagrada exclusivamente o Quixote(Cervantes su obra y su mundo. Madrid. EDI-6,1981).

Há , contudo, quem afirme, lembra Josué Montello a esse propósito, que o próprio Quixote foi inicialmente concebido como uma novela exemplar, o que se comprova, entre outros indícios, pelo aparecimento tardio de Sacho Pança. Além disso, e ao contrário do que se diz, Cernantes não costumava combater os livros de cavalaria, mas o maus livros de Cavalaria, o que é diferente: o Quixote- novela exemplar que originalmente imaginou destinava-se a ser, não o antilivro da cavalaria,mas, ao contrário, o superlivro da cavalaria, passo indispensável para recuperar a Idade de Ouro cujo desaparecimento lamenta em diversas passagens. O mesmo ocorre com respeito às novelas pastoris, que ele, muito significativamente, também tentou reescrever no plano de alta qualidade literária, comprometida pela subliteratura que a espécie havia provocado: "Aceita a tese de que Dom Quixote, nas suas origens, para uma novela exemplar, que se distendeu após a criação providencial de Sancho Pança, atentemos agora, mais explicitamente, na observação de que a narrativa pouco a pouco se orienta no sentido de alcançar, no mesmo período de burla, tanto as obras de cavalaria como as novelas pastoris"(Josué Montello).


Cervantes, no fundo,- e esse é o seu drama-não queia ser Cervantes, mas Lope de Vega: é evidente e inegável o seu despeito de ficcionista infeliz e ignorado contra o comediógrafo de sucesso, com quem tentou canhestramente rivalizar, o que é significativo. As novelas de cavalaria, contra as quais a crítica supôs que Cervantes escrevia, já havia desaparecido há cerca de duzentos anos: não havia mais motivo para tentar ridicularizá-las. A parecendo em 1605, o Quixote foi a épica burlesca, mas nostágica do Império perdido, assim como, Os Lusíadas haviam sido, em 1552, a épica heróica do império que se desintegrava.


terça-feira, 16 de junho de 2009

CONVITE DA HISTÓRIA


No próximo dia 23/06/09, 16 horas, grátis!
haverá mais um "Biblioteca Fazendo História",
no auditório Machado de Assis, da Biblioteca Nacional.

sábado, 13 de junho de 2009

SIMONAL ETECETERA E TAL



O TEXTO ABAIXO, SEGUIDO DO MEU, É DO HISTORIADOR RODRIGO DE ABREU, COLEGA QUE ESTÁ SE ESPECIALIZANDO TAMBÉM NA UFF- TURMA K-HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA, EDIÇÃO 2009.
Pessoal,
Acabei de assistir o documentário "Simonal: ninguém sabe o duro que dei". Fiquei impressionado com a ascensão meteórica e a derrocada vertiginosa de um artista de tamanha envergadura. Como um cantor tão carismático teve seu nome praticamente apagado da história da música brasileira? Deslumbramento com a fama e a riqueza, prepotência e um certa ingenuidade no âmbito político - justo em um período tão conturbado - marcaram sua decadência. Além de engrossar as fileiras do exército, Simonal exaltou o país em plena ditadura e pediu que colegas do DOPS interrogassem seu contador devido a supostos desfalques financeiros. Foram uma série de fatos que tornaram verossímil a acusação de delação de colegas para os órgãos de repressão e serviram de prato cheio para o patrulhamento ideológico. A grande empatia com as platéias nos shows deu lugar ao ostracismo. O filme me fez lembrar os depoimentos do Barbosa, guarda-metas brasileiro culpado pela derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950. O goleiro dizia que era ofendido nas ruas e tratado como um pária. Em setembro de 1993, 43 anos depois do "Maracanazo", Barbosa, a convite de uma equipe da BBC, tentou visitar os jogadores brasileiros na Granja Comary concentrados para a partida decisiva das eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994. Parreira e Zagallo o impediram... Bem, para os historiadores fica uma bela reflexão sobre memória e história. Embora operem de maneiras distintas, parece-me que ambas são seletivas. Wilson Simonal que o diga. A meu ver, o documentário é imperdível. Abaixo, link para o trailer. SIMONAL - Ninguém sabe o duro que deihttp://www.youtube.com/watch?v=wQER5RBU6n4 Um abraço,Rodrigo. P.S.: Antes de assistir o filme, conhecia vagamente o Simonal como dedo-duro e não fazia a menor idéia da sua obra.
Um abraço,Rodrigo.
P.S.: Antes de assistir o filme, conhecia vagamente o Simonal como dedo-duro e não fazia a menor idéia da sua obra.
RODRIGO E AMIGOS,

Vou ver o filme. Era muito novo " pra algo mais de memória" . Lembro que a minha mãe , devia ter uns 6 anos, não me deixou chutar uma lata. Dizia que podia ter uma bomba colocada por "UM TERRORISTA". Que clima!A gente bebia um gingereo e partia pra bicar a lata. Logo recibia umapito!... e a gente estava em impedimento, sem estar! Cada uma...

O Fato é qua a gente escolhe as amizades! ERA AMIGO de um garotoque tinha grana, mas era de boa família e tudo, não se sabia "se haviaprestado algum favor" ou "sido cooptado"... a gente poderia saber maisdetalhes aos 7anos!

Numa época de polarização "nem vem que não tem", é um crítério que precisa ser usado, para vida ou para morte. A gente escolhe viver, mas pode tentar viver longe de associações, aquelas que embassem a imagem . Parece que a gente é julgado há todo momento. UMA TRADIÇÃO DO DIREITO ROMANO E DA HERANÇA CRISTÃ ou dos dois, quando simplificados na hipocrisia social da nossa "sociedade mão dupla": minipulada e manipuladora.

O Simonal pode ter sido vítima de racismo, muito forte no país. Pode ter sido vítima, por ter sido bem sucedido, por exemplo. Simpático, comunicativo, carismático, talentoso... Jair Rodrigues também era,continua... Os dois, como personalidades desse tempo de festivais, eram imbatíveis comunicadores!
O SIMONAL pode ter sido apontado, "dedo duro", estando na hora e no lugar errado. Pode. Mas o fato de perder dinheiro para um suposto canalha contador(sem generalizações a lavagem que a categoria acaba'"tendo que fazer", Chi... PC FARIAS, relatórios de filantropia ,sujeirada desse tempo de lavagem...), poderia "sair na urina", de quem perde a grana. Já ouvi muita gente boa, dizer que sabe que está perdendo...mas perde para "não ser roubado( mais) por outro mais ladrão" . Eles chamam isso de tolerância, vê se pode? Santa receita federal rogaí por nós, que precisamos da boa aplicação dos recuros!!!QUANDO CHEGAM....sem maquiagem....UM ESCÁRIO!!!!!

Já o patrulhamento,"muito compreensível", "muito típico de uma esquerda esfacelada e etecetera" que nem podia falar, pois estava presa e torturada ou morta(morto não fala), falava por outras bocas...ENTÃO, vamos ouvir a voz não atravessada de "MARC BLOCH"(tentar comprender como as coisas se davam naquele tempo da lata, a outra...), deve ser um caminho para compreender o papel as oposições ao regime, diante do fato da "ajuda" dos agentes do DOPS. Leia-se "agentes da repressão" .

No mínimo, um grande talento, estava fora do contexto pedindo ajuda para agentes que não andavam nada dentro do ESTADO DE DIREITO(QUEBRADO COM O ai-5).. oh! Queria ser honesto, não tinha em quem confiar e...chamou a "a lei fora da lei" , aiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiai!!!!para dar uma dura no contador, que podia estarr certo, afinal "das contas".
Quem sabe, não seria melhor chamar uma auditoria? Um serviço prossissional legalizado e ...que certifica as causas com objetividade, nem dói. O ativo, o passivo... acaba aparecendo abufunfa...com todo respeito contábil!
Doeria menos essa ferida, CERTAMENTE... o ostracismo, um conceito lá da antiguidade, ficaria por lá mesmo. MPB anacrônica, má...multis gravadoras... indústria cultural.... assim dessa maneira....a condição humana é mais uma vez exposta., onde não há humanidade alguma com quem quer seja, menos ainda se não tem herança de pai artista famoso, jornalista, juiz, advogado, médico e pode revisar a memória sem maoires consequências.
Que se abram todas as cadabras, para que num futuro não tã póximo, possamos escrever este período sem grandes paixões! ARQUIVOS DA DITADURA...
Como dizia um cara que gosto bem mais...20 ANOS DE PASSAGEM....eterno Rauzito!!"EU TAMBÉM VOU RECLAMAR", por enquanto...
Saudações, numa história que continua...ainda bem........
Eduardo
p.s o termo "patrulha ideológia" é título de um livro, coletânea de capa vermelhinha...lembro que muita gente que "estava desbundando', como se dizia, andava com ele em baixo do braço nos final do 70.
Todos já viviam no maior sufoco, sexual também(a revolução sexual dos anos 60, na prática, nem sinal...), tanta caretice da formatação(preconceitos eo divórcio...só em 1979), que o livro foi uma biblia(heresia boa...),que revelava festas, amores e as incertezas do marxismo vulgar.
Quem viveu, sente saudades, pois a cultura era a do debate, das peças, do cinema 'dos textos', que nos desfiavam a viver e deixar viver, "porcos com asas", como no texto e na peça de MARCO LOMBARDO RADICE, FELIZ ANO VELHO E FELIZ ANO NOVO, mais conhecidos e também muito lidos e debatidos. Que rachas!.. em todos os sentidos alumbramentoos!!!
A SACANAGEM, a outra, com o goleiro BARBOSA, pobre, negro e cruxificado, parece típico de ''um traço DE CRUELDADE" da nossa sociedade em relação aos que falham e por isso não merecem respeito. Os presos amontoados, os sem tetos e terras, o cara que dorme em frente ao BANCO na calçada fria." Fracassados que não agarraram as chances que tiveram". Deixaram a bola passar". O goleiro, nem se fala, levei cada bolada nessa profissão maldita, "ONDE PISA NÃO NASCE GRAMA"-ALGUÉM DISSE. Neném Prancha... Típico de uma sociedade de craques.