sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

(2) Produção Intelectual século XVIII


(2)
Produção Intelectual
século XVIII


A RELIGIÃO DOS ILUMINISTAS: O DEISMO


VOLTAIRE-1694-1778(François- Marie Arouet)
Escritor e filósofo
Importante divulgador da filosofia racionalista e das idéias mais avançadas do seu tempo a respeito de política, liberdade intelectual, religião e etc.



{critica aos sistemas religiosos tradicionais}

{busca da relação entre Razão-Natureza-Deus]

{admite a existência de Deus em função da ordem natural prevalecendo no Universo]

{a fé e as revelações não imprimem movimento para a chegada de uma religião natural racional}

{o Deísmo rejeita a idéia de "revelação divina", rejeita qualquer autoridade da Igreja, rejeita a necessidade de sacerdotes, de intermediários entre homens e Deus}
{Deus é destituído de atributos morais: máquina perfeitamente ordenada e movida por "leis naturais"}


O deísta é um homem firmemente persuadido da existência de um Ser supremo tão bom como poderoso, que formou todos os seres extensos, vegetantes, sensíveis e reflexivos;(...)
Reunido nesse princípio com o resto do universo, não abraça nenhuma das seitas, que todas elas se contradizem.
A sua religião é a mais antiga e a mais extensa ; pois a simples adoração de um Deus precedeu todos os sistemas do mundo... Crê que a religião não consiste nem nas opiniões de uma metafísica ininteligível, nem em vãos aparatos ou solenidades,(...)
O maometano grita-lhe: ''Tem cuidado se não fazes a peregrinação a Meca!" ''Desgraçado de ti, diz-lhe um franciscano, se não fazes uma viagem a nossa senhora do Loreto!"

Ele ri-se de Loreto e da Meca; mas socorre o indigente e defende o oprimido.

VOLTAIRE- François- Marie Arouet. Dicionário Filosófico. In: FREITAS, po.cit.,p.11.






















































































































































































Produção Intelectual do século XVIII (1)

(1)
Produção Intelectual
século XVIII

Itens delimitados:

>Os fundamentos e as concepções iluministas no campo filosófico religioso;

>As idéias de Locke e de Rousseau acerca do "estado de natureza", "do contrato social" e do "governo civil";

>Até que ponto o pensamento iluminista foi, de fato, direta ou indiretamente, responsável pela criação de clima revolucionário ;

>E por fim uma tentativa de captar alguns aspectos da mentalidade(cultura) pré-revolucionária, na França, através de elementos contrários ao próprio iluminismo, e, que se fundamentam no ocultismo, no apogeu ao maravilhoso e irracional. Tal é o caso do Mesmerismo, que veremos ao final.


Iluminismo(filosofia das luzes)
Base iluminista: crença absoluta na razão humana e no progresso do homem
local: Europa(em particular na FRANÇA)
Século XVIII(razão e natureza)
ILuministas: uma vez livres das explicações metafísicas, místicas e sobrenaturais(lugar- comum nas reflexões acerca da religião, da filosofia, da política e etc); o universo é perfeitamente racional e deve ser entendido como obra de um Deus racional .
Concepção filosófica: Otimista e ambiciosa, que se opõe a idéia de que a fé tem alguma relação com o saber, com o conhecimento ou com a própria razão humana.

Texto síntese dos fundamentos gerais do iluminismo

DEUS, O UNIVERSO E OS HOMENS NO SISTEMA MACÃNICO DAS LUZES


-
DAVID HUME(1711-1776)
inglês

"Lançai um olhar em redor do mundo; comtemplai o todo e cada uma de suas partes. Vereis que não é senão uma grande máquina, subdividida num infinito número de máquinas mais pequenas, que por sua vez admitem subdivisões num grau que vai para além do que os sentidos e faculdades humanas podem captar e explicar. Todas essas máquinas e até as suas partes mais pequenas se ajustam entre si com uma precisão que arrebata a admiração de todos quantos a contemplarem. A singular adaptação dos meios aos fins na Natureza inteira assemelha-se exatamente, ainda que em muito excede, aos produtos do engenho humano., aos desígnios do homem, de seus pensamentos, sua sabedoria e sua inteligência. Se, portanto, os efeitos se assemelham entre si, estamos obrigados a interferir...que também as causas são semelhantes, e que o Autor da Natureza se parece em algo com a mente humana, ainda que as suas faculdades sejam muito mais consideráveis, em proporção com a grandeza obra que executou.
HUME, David. Diálogos sobre a Religião Natural. In: FREITAS, op.cit.,pp.9-10.)





quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

as luzes da Antropologia



"O conceito de homem tal como é utilizado no "século das luzes" permanece ainda muito abstrato, isto é, rigorosamente filosófico"
p.13
Aprender Antropologia
Laplantine, François
"(...)) O dever da memória conduz tanto a uma acumulação de referências justapostas, como palavras extraídas de um dicionário sem que eles se façam frases, quanto ao empilhamento interminável do passado como um todo. A HISTÓRIA, ao contrário, escreveu Lucien Febvre em um texto célebre, é um chamado a "não se deixar aniquilar por essa acumulação desumana de fatos herdados. Por está pressão irresistível do mortos esmagando os vivos- achatando sob os pés a delgada camada do presente até lhe retirar toda força de resistência". Ela é um meio de organizar o passado para impedi-lo de pesar demasiadamente sobre os ombros dos homens.
Antoine Prost- Como a história faz o historiador.

DO 77

CLUBE DE LEITORES 77

"A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com Deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele." Caim - Saramago,. José

Iluminismo> CONCEITO


ILUMINISMO

Termo que expressa um conceito de extrema complexidade utilizando para, de modo geral, indicar um movimento de idéias desenvolvido essencialmente no século XVIII.
Outros termos têm sido empregados para definir e caracterizar o ilumninismo, dependendo do ambiente cultural em que o fenômeno venha a ser considerado.
Assim o alemão Aufklärung(esclarecimento, descobrimento, reconhecimento), o espanhol ilustracion(ilustração) ou o inglês enlightenmen assumiram sentidos diferenciados, ainda que convergentes para um denominador comum.
Um conceituado historiador brasileiro, recentemente, chamou a atenção para o problemado vocabulário do Iluminismo, salientando a necessidade de que as palavras que o compõem sejam estudadas no plano nacional e mundial.
No estado atual do nosso conhecimento, admite-se que o Iluminismo abranja dois aspectos essencias: Um religioso e outro racional.
No entanto, parece não haver dúvida que, no próprio pensamento do século XVIII, exista uma idéias básica capaz de definir o iluminismo, ou seja, a concepção de que o homem caminhava , cada vez mais, para "sair de sua menoridade pela qual ele é responsável".
Uma outra questão ao envolver o Iluminismo é a identificação de seus realizadores e a classe ou as classes sociais a que pertenciam, ou melhor,quais as bases sociais a que se apoiavam.
A polêmica em torno disso divide autores e opniões, uns querendo defender a exclusividade de sua elaboração como obra de uma elite cultural burguesa. a um tempo produtora e consumidora.
Para outros, sem perder de vista a raiz burguesa, essa elite colocava-se 'não muito longe do trabalhador".
Seja como for, e quaisquer que sejam as tendências dessa ou daquela configuração do movimento iluminista, alguns traços genéricos podem ser nele detectados. Tal é o caso do sempre citado primado da razão, em torno do qual se desenvolve o tema do progresso, a que se acrescentam o da civilização e o da cultura.
Para um iluminista, o homem deve ser uma preocupação constante. A expressão desse antropocentrismo representa nova tomada de posição da sociedade com relação àqueles que a compõem e, nesse contexto, uma idéia estará sempre presente: a do progresso.
A eficácia do homem, perseguida pelos iluministas, só será possível a luz do progresso. Esse é um dos objetivos permanentes do iluminismo. Outras de suas vertentes diz respeito à educação, instrumento indispensável para o triunfo da razão. Para os iluministas, o melhor caminho para difusão do seu ideário é o da educação, pois somente através dela será possível afastar a ignorância e a superstição.
Do ponto de vista político, o iluminismo parece ter inspirado algumas reformas em países governados pelos chamados déspotas esclarecidos. Ressalte-se, entretanto, que muitas da modificações levadas a efeitos por esses governantes como sendo de inspiração iluminista coincidiam com suas próprias convicções.
Um outro ângulo importante do movimento das "luzes" manifesta-se no seu pragmatismo, isto é, na convicção de que suas idéias valeriam na medida em que delas decorressem ações e providências capazes de alterar a situação vigente.
Do ideário iluminista fazem parte o combate à doença, à escravidão, `a fome, o anticlericalismo e anticolonialismo.
O iluminismo por outro lado, está intimamente vinculado ao enciclopedismo. A ENCICLOPÉDIA, obra publicada na França no século XVIII e onde, de modo geral, estão registrados os princípios do iluminismo, é, não obstante, anterior a ele. Na verdade a idéia de produzir uma obra com a soma do saber humano datava de muitos anos atrás. Foram os renascentistas que proporcionaram aos enciclopedistas contornos modernos, fruto de novas aquisições culturais surgidas com os descobrimentos marítimos. A ENCICLOPÉDIA do século XVIII representa, porém, uma nova dimensão do enciclopedismo, vindo a ser mais do que simples acumulação impressa do saber.
Essa obra significou um balanço contemporâneo das questões culturais, verdadeiro up to date do conhecimento humano. O próprio título a caracterizava: DICTIONARE RAISONNÉ DES SCIENCES, DES ARTS ET DES MÉTIERS(DICIONÁRIO CRÍTICO DAS CIÊNCIAS, DAS ARTES E DAS PROFISSÕES. Síntese do saber, ela representava, antes de tudo, um conjunto de informações corretas e rigorosas, sem mentiras ou acomodações e sem qualquer vínculo com a tradição. Tratava-se de um verdadeiro recenseamento cultural.
Finalmente, parece não haver dúvida de que as idéias iluministas tenham influenciado muitas das posições assumidas pelos revolucionários franceses de 1789. Não obstante ainda influenciados pelo clima do iluminismo, os procedimentos revolucionários estavam longe de corresponder aos ideais iluministas. Estes ao desejar e aprovar transformações sociais, esperavam que as mudanças fossem realizadas sem violência. De qualquer, "construindo uma ordem da natureza" segundo princípios novos. o iluminismo procurou remover os equívocos do pensamento humano. Originárias da Inglaterra e da Holanda, as "luzes" fizeram o seu centro de produção e irradiação na França- especialmente em Paris- e dali para o mundo.
Exaltando uma moral inspirada na felicidade humana, os "filósofos" recomendavam a organização da sociedade em função do bem- estar de cada um. VOLTAIRE(1694-1778) não hesita em afirmar: "o paraíso terrestre está onde eu estou". Assim, a utilidade social predomina.
Governar é atender a um certo número de direitos naturais do homem: liberdade, tolerância, igualdade perante a lei. Nesse contexto, os intelectuais desempenharam papel de capital importância, pois eles foram os agentes da difusão do ideário iluminista.
Às vésperas da Revolução Francesa, o homem do século XVIII, individualista e burguês, concilia a razão com o desejo de ser útil e progressista. O radicalismo imposto pelos revolucionários-seus discípulos em número expressivo- choca-se com a idéia do iluminismo. este ao reivindicar a eliminação dos dogmas, da religiosidade, dos privilégios, não quer destruir a sociedade e sim regenerá-la. Não deixa de ser significativo que a palavra beneficiência tenha sido criada no século XVIII.


Fonte: Dicionário de Nomes, termos e conceitos históricos. Antonio Carlos do Amaral Azevedo NF

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eric Hobsbawm ainda

A Invenção das Tradições - Eric Hobsbawm e Terence Ranger

Sinopse:Os autores mostram como a "tradição" - base do nacionalismo e "prova" de uma espécie de antiga e inatacável superioridade dos povos - é uma construção, algo criado, inventado. Um trabalho de erudição e pesquisa e, ao mesmo tempo, um texto fluente e alegre.

Editora: Paz e Terra
ISBN: 8521901887
Ano: 2002
Edição: 3
Número de páginas: 316
Acabamento: Brochura
Formato: Médio