segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

POLANYI- A boa dica



Duas faces do mercado Karl Polanyi e Friedrich von Hayek

Karl Polanyi e Friedrich Hayek, dois intelectuais austríacos, nascidos nos finais do século XIX, viveram num circuito cultural e ideológico mais ou menos próximo, tanto em Viena como depois, na década dos anos trinta, em Londres. A obra deles, porém, os dois importantíssimos livros que eles publicaram em 1944, sem que tivessem conhecimento das suas respectivas teses, eram francamente opostos, marcando posições bem definidas quando a visão que eles tinham da história e da importância do mercado na sociedade contemporânea.

Mesma geração :Karl Polanyi, no centro, com seu irmão Michael e o amigo Popper (foto em Viena) “anteriormente à nossa época, nenhuma economia existiu, mesmo em princípio, que fosse controlada por mercados”.

K.Polanyi – A Grande Transformação”, 1944 “o controle econômico tende a paralisar as forças propulsoras da sociedade livre”

F.Hayek _ O Caminho da Servidão, 1944

Se bem que bem mais de dez anos separavam o nascimento de Karl Polanyi do de Friedrich von Hayek, ocorridos em Viena, um em 1886 e outro em 1899, pode-se dizer que ambos fizeram parte da mesma geração daqueles pensadores sociais austríacos que deitaram fama no mundo. Os dois, um de descendência judaica e o outro católico, além de terem a melhor das formações, serviram no exército do império Austro-húngaro durante a Iª Guerra Mundial, experiência da qual guardaram poucas boas lembranças. Enquanto Polanyi freqüentou os grupos radicais, encontrando-se com George Lukács e Karl Mannheim, Hayek logo abandonou suas inclinações de socialista moderado ao ser escolhido para trabalhar com Ludwig von Mises, um dos mais célebres teóricos da chamada Escola Austríaca.:Em Londres e em Vermon London School os Economics, uma das sedes da elite pensante inglesa . Por motivos diversos, eles terminaram por emigrar para a Grã-Bretanha nos anos trinta. Ao tempo em que Polanyi mostrou-se arredio a levar uma vida acadêmica regular, empregando-se como tutor, Hayek logo integrou-se no alto staff da elite pensante da Inglaterra. Quando a London School of Economics, onde ele era conferencista desde 1931, emigrou em 1940 para Cambridge, para escapar das bombas de Hitler, foi John M. Keynes quem abriu-lhe as portas para acomodá-lo. Os americanos, por sua volta, sempre atentos e generosos com os talentos que vagavam pelo mundo, não tardaram em convidar Polanyi para uma estada em Vermon, onde o Bennington College ofereceu-lhe a preciosa tranqüilidade para que ele escrevesse. Enquanto isso, lá na Inglaterra, Hayek também se mobilizava. Em 1944, os dois, sem saberem um do outro, lançaram dois livros seminais para a nossa época: o The Great Transformation ( A Grande Transformação), de Polanyi, e o Road to Serfdom ( O Caminho para a Servidão), de Hayek. Dificilmente dois intelectuais que viviam mais ou menos no mesmo circuito, o austro-anglo-saxão, aspirando mais ou menos o mesmo clima cultural e ideológico chegaram a conclusões tão divergentes.

O moinho satânico : No entender de Polanyi - ao fazer a reconstrução da expansão da economia de mercado na Grã-Bretanha do século XIX -, um novo tipo de sociedade havia emergido, distinta de tudo o que se conhecera até então. Nos sistemas produtivos anteriores à Revolução Industrial, os interesses econômicos eram mínimos, imperando as relações sociais e familiares. Porém, com a expansão do sistema fabril e os altos custos da sua implantação, foi preciso transformar a sociedade por inteiro tornando-a um imenso mercado regido pelo interesse e pelo lucro, sendo o trabalho um negócio como um outro qualquer. Num levantamento detalhado das leis inglesas daquela época (a privatização das terras, a Lei dos Pobres de 1834, a Lei da Reforma de 1831, que deu enorme poder aos empregadores, a Lei do Trigo em 1846, o estimulo a imigração ou a ampliação do sistema prisional), Polanyi mostrou como o estado, a serviço dos empreendedores, mobilizou-se para criar as condições em que a sociedade fosse submetida ao mercado. Não só isso, gerou-se um novo sistema social – a Grande Transformação - onde todos indivíduos tornaram-se “ átomos dispensáveis”, uma engrenagem que era de fato “ uma máquina... para qual o homem estava condenado a servir”. Para Polanyi deixá-la solta, sem maiores impedimentos e regulações, como pregavam os liberais, era excitá-la a ser um moedor de carne ou um “ moinho satânico” , como ele preferiu, destruindo todas as relações sociais. http://educaterra.terra.com.br/voltaire/index_cultura.htm

domingo, 20 de fevereiro de 2011

FUI!!!!!!!!!!!!!!!

sai para comemorar!

A HISTÓRIA CONTINUA -A BOA DICA

"O conquistador dos novos espaços da história é também, inseparavelmente um sedutor. E seu texto, que esclarece sem simplificar, que orna com um sorriso cúmplice a aspereza de uma demonstração erudita; em suma, que sabe transformar o saber em prazer, é a mais irreristível das seduções"
Le Monde

LUA CHEIA DE NOVIDADES

Que é história? a BOA DICA

"Nesta série de conferências proferidas pelo professor Carr, na Universidade de Cambridge(em 1961), safra em que em vim ao mundo, ele desvenda o ofício de historiador que ele próprio exerce com dignidade, engenho e arte".
EDITORA PAZ E TERRA

absolutismo versus liberalismo

A Teoria Liberal do Poder


“...enquanto subsiste o governo, o legislativo é o poder supremo;

o que deve dar leis a outrem deve necessariamente ser-lhe superior...o

legislativo necessariamente teria que ser supremo, e todos os outros poderes

em membros ou partes qualquer da sociedade dele derivados ou ele subordinados” .

John Locke- Segundo Ensaio sobre o Governo Civil, 1690.


Locke advogou a Teoria da Separação dos Poderes que influência de modo determinante Montesquieu(“O Espírito das Leis”-1748)



ABSOLUTISMO X LIBERALISMO

síntese


ABSOLUTISMO A

Na sua visão antropológica, o Homem nasce um servo, obrigado à obediência, à hierarquia e à ordem. Sua natureza, porém é dada a anarquia e à regressão selvática. O Estado da natureza é o reino da desconfiança e da violência, onde não existe lei ou ela é simplesmente a vontade do mais forte. É um estado de guerra.

LIBERALISMO A

Na antrolopologia liberal, o Homem nasce livre e igual, ainda que em condições materiais adversas . Sua natureza tende à sociabilidade e o convívio racional e pacífico com os demais membros da comunidade. A violência e as guerras são ocasionais, imperando no geral a cordialidade.




ABSOLUTISMO B

Logo somente uma autoridade dotada de poderes extraordinários(o monarca absolutista) é capaz de conduzir a comunidade à paz e à prosperidade . Esse poder pode ter sido advindo de um contrato ou emanado diretamente de Deus. A suposta liberdade natural em que todos os homens nascem foi alienada em favor da autoridade.

LIBERALISMO B

A autoridade que emerge é resultado de um contrato entre governantes e governados, sendo que os poderes do governante são claramente delimitados pela tradição e pela constituição. Se o governante não cumpre a sua parte no contrato, os governados podem socorrer ao direito à rebelião. A razão é que nenhum Homem pode alienar sua liberdade.

ABSOLUTISMO C

Esta autoridade, por sua vez, é divina ou é herança de Adão(visto como o primeiro rei) Seu poder encontra-se exclusivamente limitado pela tradição ou por Deus. Nenhuma assembleia ou parlamento pode impor-lhe limites, porque as origens do poder v~em do mundo transcendente.

LIBERALISMO C

A autoridade é natural e humana; o governante é servidor do povo. Não existe nenhuma prova de que o poder vem de Deus ou dos herdeiros de Adão. Tanto as assembleias como os--parlamentos podem impor-lhes limites


ABSOLUTISMO D

O melhor regime que encara a autoridade é a monarquia, cujo poder é e dever ser absoluto. O poder e a soberania são indivisíveis e fundem-se no monarca: o executivo(os ministros), o legislativo(o parlamento) e o judiciário(os magistrados)devem estar submetidos à vontade do rei.

LIBERALISMO D

O melhor regime político é uma Monarquia Constitucional, onde o poder se encontra dividido entre o executivo( o rei), o legislativo(o parlamento) e um judiciário autÔnomo . O poder encontra-se separado da soberania. A soberania é do povo. O poder é do rei.

ABSOLUTISMO E

Tudo que o indivíduo possui, liberdade ou propriedade, é condicional. Sua existência depende

dos interesses superiores do monarca, que é o único que garante o seu usufruto. O indivíduo está a serviço do estado.

LIBERALISMO E

A liberdade e a propriedade são direitos naturais que antecedem a existência do estado. Por consequência, o estado existe para garantir esses direitos e não para suprimi-los. O estado existe para servir o indivíduo e não este ao estado.

ABSOLUTISMO F

A Religião e a Igreja são auxiliares do monarca e seus subordinados na preservação da paz interna. Por consequência, aceita-se a interferência estatal nos assuntos religiosos para manutenção da harmonia social .

LIBERALISMO F

Estado e Igreja são universos distintos. Um trata das coisas terrenas, outro das coisas sagradas. Seus fins são diversos e devem manter-se separados. Um não deve intervir nos assuntos internos do outro.

ABSOLUTISMO G

Ideologicamente corresponde ou expressa a visão da aristocracia fundiária, da Corte, do Rei e seus ministros, da burocracia real- estatal, do Alto Clero e conta com o consentimento pacífico da população mais conservadora.

LIBERALISMO G

Ideologicamente corresponde à visão das classes médias, dos profissionais liberais, dos artesãos, dos industriais, de comerciantes e mercadores e também da gentry rural


-BILIOGRAFIA: Shilling, Voltaire. As Correntes do Pensamento; da Grécia antiga ao neoliberalismo. SÍNTESE DAS TEORIAS ABSOLUTISMO E LIBERALISMO p.63. Porto Alegre;AGE,1999.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"APRESENTAÇÃO DAS SOCIEDADES CONTEMPORÂNEAS"

"APRESENTAÇÃO DAS SOCIEDADES CONTEMPORÂNEAS"

Alguns pontos de vista

Ainda que de modo factual(a base factual é a essência do texto em questão),procurei expor o texto abaixo como uma chance de revisão e síntese.

As devidas aspas que coloquei são para chamar atenção para a necessidade de aprofundamento do estudo e com todo cuidado, com a atenção para "as generalizações da história", que também estão nos livros didáticos- que podem parecer com as grandes ENCICLOPÉDIAS-, vale, assim mesmo, fazer a leitura do texto que reproduzo abaixo.

OS AUTORES são os professores José Jobson A. ARRUDA de Nelson Pilett.

O texto, pequenino, foi retirado da abertura da UNIDADE X- AS SOCIEDADES CONTEMPORÂNEAS P. 251. do livros dos autores citados acima denominado de 'Toda A HISTÓRIA- história geral e história do Brasil, Editora Ática(guia do professor) .

Um aviso importante: não abomino completamente o uso de guias didáticos, nem muito menos a divulgação da HISTÓRIA em bancas de jornais(mesmo que englobe grandes períodos), pois não temos no nosso país uma intenção muito clara de instrução permanente para leigos. Ao contrário do que ocorre em países europeus, como a FRANÇA.

Sendo, que admiro por isso e sempre defendi, o PENINHA(Eduardo BUENO), que abiu um horizonte imenso para a divulgação da nossa surrada história, que antes nem contava com material de divulgação para grandes públicos. Além dele ter traduzido parte significativa dos livros da beat generation(meu objeto de estudo na Especialização) e de ter sacudido, um bocado, a arenosa situação relativizada pelas comemorações dos 500 anos do Brasil em 2000.

Naquele momento quando parece que a televisão "descobriu" ou "inventou" o BRASIL, com matérias de arrepiar e a instalação de um cronômetro gigante no sul da BAHIA, que contava num relógio digital a contagem do tempo, quando chegamos "a marca histórica de um número redondo", foi grande o interesse e continua.

Um outro fato, que precisa ser enfrentado, é que a história "feita", escrita, por não historiadores tem gerado alguma insatisfação no meio. Coisa que abomino! Assim como acredito, que a ocupação de historiadores nos meios de comunicação é um avanço profissional no nosso campo e para o campo social com efeito.
E.A

P.S. 1
O livro dos professores FALCÓN E GERSON MOURA- A FORMAÇÃO DO MUNDO CONTEMPORÂNEO- indicado aqui( VER '' a boa dica"), vale a aquisição pelo custo e pela alta qualidade do conteúdo explorado e, pela discussão dos problemas relativos a problemática da periodização em história, generalizações e outros conceitos, que acabamos por repetir distraidamente para além do bem e do mal. Ele servirá para estabelecer uma diferenciação de abordagem em relação aos livros didáticos e aos panoramas mais específicos.

P.S. 2
EM BREVE uma Boa DICA nova, explorando um pequeno livro de um grande intelectual, RÉGIS DEBRAY(um livro de instrução para as massas, ou leigos), que comprei ontem na livraria Leonardo da VINCI.

A LIVRARIA LEONARDO DA VINCI, tem cheiro e charme muito próprio e, que está incorporada a minha pele desde que desci a rampa no número 185(sub-solo), da Rio Branco, ainda guri levado pelos braços da minha mãe que por ali pagava o aluguel de uma casa que ocupávamos no Méier.

Pena que o laginho e os peixes só nadam agora na minha cabeça e a velha avenida não permita poesia alguma, sem que se fique com um olho no padre e o outro na missa .



"APRESENTAÇÃO DAS SOCIEDADES CONTEMPORÂNEAS"(uma excelente síntese)


As revoluções americana e francesa constituíram o último ato de um drama que começou a ser encenado muito antes do final do século XVIII . Um drama cuja origem remontam à formação dos estados nacionais, às grandes navegações e a expansão do ''capitalismo mercantil", que modelou pela primeira vez um mercado mundial. Até então, a humanidade nunca passara por tantas e tão rápidas transformações.

A esse período de mudanças convencionou-se a denominar de "modernidade".


Se fôssemos fazer um balanço dessa época da qual somos herdeiros, poderíamos ser tentados
que ela foi uma era de guerras, conquista de novos territórios , conflitos religiosos, autoritarismo político, escravidão e formação de grande impérios coloniais. Ela foi tudo isso, sem dúvida.
(...) a Reforma Protestante e as guerras de religião estão na origens da época moderna.
(...)é igualmente certo que o absolutismo monárquico do Estado nacional implicou formas extremamente autoritárias do exercício do poder político. Mas foi no interior desses Estados que se formou um novo princípio de cidadania.

No século XVII, a teoria do absolutismo monárquico já admitia, com THOMAS HOBBES(ver índice no blog), que os homens nascem livres e iguais.

No século XVIII, essa formulação deu lugar à luta pelos direitos naturais, defendidos pelos filósofos(ver blog) como verdadeira arma contra o autoritarismo "do Príncipe".

A idéia de que todo indivíduo é portador de direitos naturais, inalienáveis, a ele concedidos pelo Criador ou pela Natureza,revelou ser uma força irreristível no Século das LUZES. "Não seria mesmo exagerado dizer que ela removeu montanhas, ao contribuir para a formulação, nos dois lados do atlântico, de uma opinião crítica que empolgou multidões e provocou, na América, o fim da dominação inglesa, e na França a queda do absolutismo. E que promoveu em ambos os casos, o gosto pela liberdade" .

Pois esse é o maior legado da modernidade. Um novo tipo de Estado. o Estado de Direito, regido por uma por uma Constituição livremente estabelecida. Uma nova forma de organização política, a democracia representativa. Um novo conceito de liberdade e cidadania. Com suas declarações de direito do homem e sua formas de exercício do poder, "as revoluções americana e francesa foram o último ato da era moderna e o primeiro da idade contemporânea". (...) abrange todo o período histórico que vai das revoluções de fins do século XVIII até os nossos dias.
Arruda e Piletti.