terça-feira, 14 de junho de 2011

Derrida, por um outro Iluminismo

FONTE : PROSA E VERSO=O GLOBO
Enviado por O Globo -
11.6.2011
|
8h50m

Derrida, por um outro Iluminismo


Pesquisadores brasileiros e estrangeiros se reúnem de segunda a sexta-feira no Rio para cinco dias dedicados à obra de Jacques Derrida. O I Colóquio Internacional Desconstrução, Linguagem e Alteridade: Heranças de Derrida, organizado por Carla Rodrigues e Rafael Haddock-Lobo e que será realizado no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, no Largo de São Francisco, começa às 16h de segunda-feira com a exibição do filme “D’Ailleurs Derrida”, de Safaa Fathy, seguido pela conferência “Não há desconstrução sem democracia — não há democracia sem desconstrução”, da filósofa portuguesa Fernanda Bernardo, da Universidade de Coimbra (leia entrevista abaixo). De terça em diante, o evento terá comunicações de pós-graduandos pela manhã e debates entre pesquisadores a partir das 14h. A mesa de encerramento, às 18h de sexta-feira, reunirá a professora da USP Olgária Matos e Mónica Cragnolini, da Universidade de Buenos Aires.

Por Carla Rodrigues e Rafael Haddock-Lobo*

"Age como se a máxima de tua ação devesse ser erigida por tua vontade em lei universal da Natureza”. Desde que Kant formulou seu imperativo categórico, ainda no século XVIII, para fundamentar sua filosofia moral, somos, direta ou indiretamente, ordenados por uma tradição ética e política orientada pela autonomia do sujeito racional de Kant, para quem “mesmo o mais vulgar dos homens” tem acesso à lei da razão e a capacidade de, a partir de um eu consciente e racional, chegar a uma proposição universal. Desde então o debate sobre ética tem Kant como referência, seja para contestá-lo, como fez Nietzsche, para aprimorá-lo, como quis Jürgen Habermas, para alargá-lo, como pretendeu Hannah Arendt no seu “Lições da filosofia política de Kant”, ou para radicalizá-lo, como fez Jacques Derrida.

Nessa linhagem de herdeiros do Pensamento Crítico destaca-se Habermas, cuja obra nasce na segunda metade do século XX declaradamente não apenas inspirada em Kant, como também em contraposição a Nietzsche. Pensador da ética do discurso e da ação comunicativa, Habermas pretende ampliar as proposições kantianas, que partiam de um monólogo do sujeito autônomo com sua própria razão, para pensar num diálogo no qual os participantes, desde que comprometidos com a ética do discurso, podem alcançar posições universalizáveis e de consenso aceitáveis a todos os participantes.

No livro mais importante que dedicou a Nietzsche, Gilles Deleuze defende a hipótese de que “A genealogia da moral” foi escrita para enfrentar o “chinês de Königsberg” — para usar a expressão sarcástica com a qual Nietzsche se referia a Kant — e se contrapor à “Crítica da razão pura”. Entre os herdeiros de Nietzsche, inclusive no que diz respeito ao enfrentamento das proposições kantianas sobre liberdade, autonomia e universalidade da razão, está o fi$ósofo franco-argelino Jacques Derrida. O martelo nietzscheano deixa à desconstrução alguns legados: o reconhecimento de que o sentido se dá sempre por um ato de força; a ampliação das aspas com as quais Nietzsche suspende a verdade, aspas que em Derrida suspendem todos os conceitos filosóficos; e a interrogação sobre as exigências morais do cristianismo e do kantismo, que em Nietzsche são sinônimos.

Parece tentador, embora seja uma solução simplista, tentar $Habermas e Derrida, sendo o primeiro um continuador do ideal iluminista kantiano e o segundo um anti-iluminista e, portanto, contrário a todas as formulações de Kant. Enquanto em Habermas há um grande esforço de encontrar procedimentos seguros para que se alcance o melhor arranjo possível, em Derrida esse melhor arranjo possível é um horizonte, uma perspectiva nunca alcançável, ou o que ele chama de “porvir”. Nos dois está em debate a relação com o outro, a justiça, a de$e a ética. Em Derrida, a ética será sempre pensada em sua relação com a alteridade, não sendo nem normativa ou deontológica, como queria Kant, nem processual, como defende Habermas. A radicalização da leitura kantiana proposta por Derrida, em contraste com a leitura proposta por Habermas, consistiria num esforço para se pensar o outro como outro, ter a alteridade como limite e desejo da própria ética, afastando-se de qualquer tentativa de inclusão, que poderia ser pensada apenas $a própria perda da alteridade, quando o outro passa a ser incorporado pela ordem do mesmo.

Quando esteve no Brasil pela última vez, em 2004, pouco mais de um mês antes de sua morte, Derrida pareceu deixar esta diferença bem marcada, ao declarar que, apesar de ter assinado um texto ao lado de Habermas, ou seja, de estar em uma ou outra posição política ao lado de Habermas, não deveríamos esquecer que ele era seu “inimigo”. O termo “inimigo” pode parecer forte demais, mas se lembrarmos que neste momento Derrida lia Carl Schmitt, importantíssimo jurista filósofo político alemão, podemos entender que as heranças de Nietzsche e Schmitt não servem a Derrida para descartar Kant, mas para apontar as insuficiências da universalidade e das condicionalidades kantianas, e assim combater certa leitura kantiana predominante no panorama jurídico-político de nossos tempos, sobretudo pelas leituras neoliberais de John Rawls e Habermas.

Se Habermas é o inimigo, podemos supor então que Kant é o campo de batalha, o território que se luta para conquistar em nome justamente de outras leituras possíveis de Kant, um alargamento da própria mensagem kantiana. Não mais uma hospitalidade condicionada, por exemplo, como nos exigem as políti$internacionais, mas uma hospitalidade incondicional (inspirada na noção levinasiana de acolhimento); não mais um sujeito autônomo, que tem em sua razão a única condição de liberdade, mas sim um sujeito heterocausado, atravessado por tantas alteridades, mas ainda (o que é importante sublinhar) responsável por suas escolhas. Um sujeito que não deve agir meramente segundo o dever, segundo a regra, pois isso sim seria irresponsável, fora da ordem da decisão, mas um sujeito responsável justo por decidir sobre a regra. E uma justiça que não se fundamente apenas na regra, na rigidez da regra, mas que seja ela mesma a regulação da regra, e que traga ao direito a urgência da invenção do legislador frente à singularidade daquele que está diante da lei.

Isto seria, para Derrida, à luz de todos esses espectros, seu “outro iluminismo”, ou, como ele mesmo propõe, uma luta por “mais luzes”.

CARLA RODRIGUES é professora do Departamento de Comunicação da PUC-Rio e RAFAEL HADDOCK LOBO é professor do Departamento de Filosofia da UFRJ . São coordenadores do KHORA — Laboratório de Filosofias da Alteridade e ambos defenderam seu doutorado em Filosofia na PUC-Rio, sob orientação de Paulo Cesar Duque-Estrada, precursor dos estudos filosóficos de Derrida no Brasil

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Figura esvaziada de Hitler. FONTE:

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/figura-esvaziada-de-hitler

Figura esvaziada de Hitler

Mostra na Alemanha levanta a questão se regimes de exceção representam anseios da sociedade

Francisco Carlos Teixeira da Silva e Karl Schurster

  • Hitler e J. Goebbelss, ministro do esclarecimento do povo e da propaganda em Obersalzberg 1943/ Bundesarchiv-Berlin

    Hitler e J. Goebbelss, ministro do esclarecimento do povo e da propaganda em Obersalzberg 1943/ Bundesarchiv-Berlin

    A exposição "Hitler und die Deutschen: volksgemeinschaft und verbrechen" (Hitler e os alemães: a comunidade do povo e os criminosos), abrigada na chamada Zeughaus, a antiga Casa de Armas do império alemão, no centro histórico de Berlim, teve como principal propósito uma mudança de foco na interpretação sobre o Terceiro Reich. Seguindo a tendência da historiografia contemporânea, que considera como insuficiente tratar o nazismo como obra solitária de Hitler, os organizadores da mostra, que ocorreu do fim de 2010 ao início de 2011, questionaram qual o significado da escolha do Führer pelo povo alemão e por que continuaram a apoiá-lo até 1945. A centralidade do ditador alemão foi deslocada em prol de uma análise mais profunda sobre a “comunidade do povo alemão”, conceito tão difundido durante o nazismo.

    A constante preocupação com a identificação das especificidades e diferenças nacionais para explicar os regimes que participaram da Segunda Guerra Mundial nos aproximam do uso da história comparada. Um exemplo disso está posto na antiga tese que explicava o nazismo pelas “peculiaridades alemãs”,sonderweg, o chamado “caminho especial” da história e desenvolvimento alemão, que se preocupou mais com o período imperial do que propriamente com o Terceiro Reich. De acordo com esta interpretação, o nazismo foi um fenômeno único derivado do legado peculiar do Estado autoritário prussiano e do desenvolvimento ideológico alemão, mas sua singularidade se deve, sobretudo, ao personagem Hitler, sendo impossível ignorá-lo, subestimá-lo ou substituí-lo. Esta preocupação, exposta por parte da historiografia sobre a ditadura alemã durante a Guerra Fria, limitou as explicações sobre o nazismo ao Estado e as Instituições, tornando embaçada a visibilidade sobre a efetiva participação do povo alemão durante o regime. Mesmo quando se falou na chamada Historikerstreit (disputa dos historiadores) gerando um grande e importante debate acerca do lugar que ocupa o Terceiro Reich na história alemã (1983-1986), a centralidade do debate estava voltado para a Hitler. O que a exposição “Hitler e os alemães” traz de mais importante não é uma análise dos processos de fascistização da sociedade mediante as ações do Estado Nacional-Socialista, mas, sim a proposição de um processo de fascistização comandado e assumido pela própria sociedade.

    Entendendo que uma compreensão mais profunda sobre o funcionamento da ditadura nazista levaria a uma responsabilização da população alemã sobre o sistema e suas atrocidades, parte da historiografia alemã, durante a Guerra Fria, referendou o uso do conceito de totalitarismo. Mesmo sendo um conceito pouco utilizado na Alemanha, o totalitarismo ficou marcado como conceito fundamental na explicação do nazismo e também da União Soviética sob o comando de Stálin. Durante o período da Guerra Fria, uma revisão do nazismo representava não apenas uma querela entre historiadores, mas trazia para o debate uma questão de caráter moral. Revisar o passado, onde a complexidade deste sistema transcenderia as noções tradicionais de entendimento do funcionamento do Estado e da sociedade, seria facilmente considerado como uma banalização da natureza cruel e desumana do regime nazi.

    Joseph Goebbels fala num grande comício em Berlim sobre o boicote anti-judeu / Bundesarchiv - Berlin

    Joseph Goebbels fala num grande comício em Berlim sobre o boicote anti-judeu / Bundesarchiv - Berlin

    Se entendermos a memória com um lugar de embate, de luta pela legitimação de uma interpretação que se institui como hegemônica, a história do Terceiro Reich apresenta duas visões no pós-guerra bastante significativas: uma memória da República Federal e outra da República Democrática. Para a República Federal, compreender ou aceitar o recém-passado alemão estava ligado a formação de uma consciência política do novo país e a partir daí de superação deste passado. A vertente interpretativa da República Democrática apoiou-se largamente na Internacional Comunista que entendia o nazismo como o mais chauvinista e imperialista elemento do capital financeiro. Na República Federal a marca central das análises defendia a tese de que a sociedade alemã tinha sido vitima de Hitler e seu sistema, enquanto que na República Democrática a questão girava em torno de uma memória de resistência, onde a população durante a guerra teve um papel fundamental na luta contra o nazismo e na libertação da Alemanha do Nacional-Socialismo.

    Segundo o professor Ian Kershaw, uma interpretação do nazismo deveria abarcar a fusão de três dimensões explicativas: uma de caráter histórico-filosófica, onde a questão fundamental seria a natureza do nazismo; uma política-ideológica, onde o regime, suas instituições e ideologia racial estariam no cerne do debate; e, por fim, uma dimensão moral que estaria ligada ao tratamento dado ao tema no pós-guerra e, especificamente, o que envolve a repressão e o genocídio durante a vigência do regime. Compreender o nazismo através de teorias explicativas ainda esbarra no problema enfrentado quando nos deparamos diretamente com os fatos, que, em certa medida, parecem tornar nossas explicações mais frágeis. Mesmo que o verbo compreender tenha um significado ambivalente, quando se trata de ditaduras, podemos rechaçar e seguir compreendendo o fenômeno que não deve em nenhuma hipótese ser entendido como um lapso momentâneo da razão.

    Trailer de "A fita branca", longa-metragem de Michael Haneke

    Na exposição “Hitler e os alemães” existe uma gradação muito clara de “fascinação” (Faszination) e de “Cooperação” (mitmachen) até a aprovação (“billigen”) dos próprios crimes do nazismo, bem como de oposição e resistência (fatos diferenciados) e que implica em plena consciência dos contemporâneos de Hitler sobre o fenômeno que vivenciavam, bem como sua natureza violenta e a compreensão do alcance criminoso do nazismo. O pretenso poder de Hitler foi, desta forma, preencher as expectativas e esperanças pré-existentes do povo alemão, não sendo ele mesmo o “autor” ou “produtor” de tais expectativas. A própria aceitação, com entusiasmo, frieza ou simplesmente oportunismo, do conceito de ‘comunidade do povo’ por parte da sociedade alemã implicava na cooperação com o nazismo. Esta noção, conforme construído sob o nazismo, teria em seu núcleo uma promessa real de violência.

    A vigência das noções decorrentes da “comunidade do povo” – tais como a pureza do sangue ariano, a exclusão de deficientes e de “diferentes” de todo tipo, a substituição dos conflitos de classe pela cooperação entre os membros da raça superior – plena de violência normativa impregnava a sociedade alemã de forma brutal. Conforme os organizadores da exposição, tal violência não era decorrente de ordens e decisões de apenas um homem – vindas “de cima”. A violência era produzida – no processo de exclusão social produzido pela aceitação voluntária das nações a “comunidade do povo” - através de um processo oriundo, ou mesmo antecipado, das próprias bases da sociedade alemã. Esta é uma discussão dura e amarga e que envolve o povo alemão.

    A análise direta e responsável do grupo que organizou a exposição implica numa ampla capacidade comparativa com todas as demais ditaduras. Eis aí um ponto de largo interesse com a América Latina. A questão central estaria, neste caso, em se perguntar se o processo de consumação da violência nas ditaduras é, de alguma forma, diferente ou comparável. Em verdade, se tivermos em mente as experiências históricas das ditaduras latino-americanas – dos anos 30/40 ou dos anos 60/80 do século XX – poderíamos nos perguntar sobre a adesão das sociedades latino-americanas ao processo de violência quotidiana desencadeado pela possibilidade de excluir e punir indivíduos considerados diferentes. Em graus diferentes é um debate recorrente em todas as ditaduras.

    Francisco Carlos Teixeira da Silva é professor titular de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor visitante da Technischen Universität Berlin.

    Karl Schurster é doutorando em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com estágio de pesquisa na Freie Universität Berlin.

    Saiba Mais
    Livros:

    KERSHAW, Ian. "Hitler". São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
    PAXTON, Robert. "Anatomia do fascismo". São Paulo: Paz e Terra, 2007.
    PARADA, Mauricio. (Org.) "Fascismos". Rio de Janeiro: Mauad, 2009.
    REICH, Wilhelm. "Psicologia de Massas do Fascismo". São Paulo: Martins Fontes, 2001.

    Filmes:

    HANEKE, Michael. "A fita branca". Áustria, Alemanha, França e Itália, Imovison, 2010.
    VERHOEVEN, Michael. "Uma cidade sem passado". Alemanha, ZDF, 1990.

Rio Antigo - Copacabana 1928 (Fragmento 3)

Rio Antigo - Copacabana 1928 (Fragmento 1)

Rio Antigo - Copacabana 1928 (Fragmento 1)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

LIVROS: PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA

Livro reúne exercícios de leitura e escrita para alunos de graduação


Débora Motta

Reprodução
Livro coloca conceitos gramaticais
a serviço da produção de textos

Dominar o idioma pátrio e saber se expressar bem, tanto na comunicação oral como na escrita, é um pré-requisito básico para a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Para ajudar os alunos dos diversos cursos de graduação do Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam) a aprimorar suas habilidades de leitura e escrita na língua portuguesa, pesquisadores da instituição elaboraram um material didático de fácil compreensão: o livro Práticas de Leitura e Escrita no Ensino Superior (ed. Freitas Barros). Com organização de Maria da Graça Cassano e coordenação de Maria Geralda de Miranda e Ana Maria Pires Novaes – professoras do Laboratório Multidisciplinar de Estudos da Linguagem: Pesquisas, Eventos, Metodologias e Produção de Material Didático-Pedagógico (Lamel), da Unisuam –, a obra é uma ferramenta prática para ajudar no desenvolvimento da competência textual e discursiva dos estudantes.

O livro nasceu da necessidade de elaborar um material acadêmico próprio para a disciplina Leitura e Produção de Textos, ministrada aos alunos recém-chegados na universidade, em todos os cursos da Unisuam. “Já se trabalha com leitura e produção de textos em todos os cursos desde antes de 2002, quando ingressei na instituição, mas cada professor produzia um material próprio e alguns davam um enfoque muito gramatical”, lembra a professora Maria da Graça Cassano. Além de padronizar o material didático do curso, o livro prioriza os exercícios de leitura e escrita. Nele, os conceitos gramaticais estão a serviço da produção de sentidos do texto. “Montamos um manual prático para ensinar os gêneros mais utilizados no ambiente acadêmico, como resumo, resenha, relatório, ensaio e fichamento. Também ensinamos como fazer citações de outros autores no texto acadêmico sem que elas sejam confundidas com plágio”, conta.

Para contemplar as temáticas fundamentais ao desenvolvimento das práticas discursivas dos alunos, o livro foi organizado em oito unidades, cada uma delas acompanhada por um estudo dirigido com exercícios extras. Eles deverão ser feitos fora da sala de aula, mas sempre com acompanhamento posterior do mestre. Entre os temas discutidos estão o conceito de texto, voltado para uma concepção multisemiótica, na unidade 1; as diferenças entre as línguas oral e escrita, na unidade 2; o estudo dos tipos textuais, como narração, descrição, dissertação e injução, na unidade 3; a constituição da narração e da dissertação, respectivamente abordadas nas unidades 4 e 5; e, por fim, a elaboração dos gêneros acadêmicos: resumo, resenha, ensaio e relatório, nas unidades 6, 7 e 8.

Para a professora Maria da Graça Cassano, trabalhar as capacidades de leitura e escrita dos alunos no nível superior é fundamental para suprir antigas lacunas de conhecimento na língua portuguesa, que muitas vezes passam batidas desde o colégio até a faculdade. “Muitos estudantes chegam ao nível superior ainda com dificuldades básicas em português e produção textual. Às vezes, até a interpretação correta de um texto é um problema. As experiências educacionais anteriores dos alunos, de um modo geral, são heterogêneas, mas eles costumam apresentar dificuldades quanto à leitura e escrita. E nem se pode atribuir somente à escola pública a responsabilidade pelo problema, porque mesmo a rede particular, com as exceções de praxe, também não realiza um trabalho, de fato, a contento”, avalia a educadora. Por isso, o material foi elaborado com muitos exercícios, para agilizar o processo de aprendizagem.

A obra é resultado de um projeto multidisciplinar com ênfase nos Estudos da Linguagem, contemplado pela FAPERJ com o edital de Apoio a Instituições de Ensino e Pesquisa Sediadas no Estado do Rio de Janeiro, que viabilizou a aquisição da infraestrutura necessária para a montagem do Lamel. “O apoio da Fundação permitiu a aquisição de equipamentos e mobiliário. Hoje, temos um espaço físico com computadores, internet, scanners, impressoras, TVs e datashow, ou seja um material para garantir as condições de desenvolvimento e as produções do grupo”, conclui.

© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.