segunda-feira, 13 de junho de 2011

Figura esvaziada de Hitler. FONTE:

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/figura-esvaziada-de-hitler

Figura esvaziada de Hitler

Mostra na Alemanha levanta a questão se regimes de exceção representam anseios da sociedade

Francisco Carlos Teixeira da Silva e Karl Schurster

  • Hitler e J. Goebbelss, ministro do esclarecimento do povo e da propaganda em Obersalzberg 1943/ Bundesarchiv-Berlin

    Hitler e J. Goebbelss, ministro do esclarecimento do povo e da propaganda em Obersalzberg 1943/ Bundesarchiv-Berlin

    A exposição "Hitler und die Deutschen: volksgemeinschaft und verbrechen" (Hitler e os alemães: a comunidade do povo e os criminosos), abrigada na chamada Zeughaus, a antiga Casa de Armas do império alemão, no centro histórico de Berlim, teve como principal propósito uma mudança de foco na interpretação sobre o Terceiro Reich. Seguindo a tendência da historiografia contemporânea, que considera como insuficiente tratar o nazismo como obra solitária de Hitler, os organizadores da mostra, que ocorreu do fim de 2010 ao início de 2011, questionaram qual o significado da escolha do Führer pelo povo alemão e por que continuaram a apoiá-lo até 1945. A centralidade do ditador alemão foi deslocada em prol de uma análise mais profunda sobre a “comunidade do povo alemão”, conceito tão difundido durante o nazismo.

    A constante preocupação com a identificação das especificidades e diferenças nacionais para explicar os regimes que participaram da Segunda Guerra Mundial nos aproximam do uso da história comparada. Um exemplo disso está posto na antiga tese que explicava o nazismo pelas “peculiaridades alemãs”,sonderweg, o chamado “caminho especial” da história e desenvolvimento alemão, que se preocupou mais com o período imperial do que propriamente com o Terceiro Reich. De acordo com esta interpretação, o nazismo foi um fenômeno único derivado do legado peculiar do Estado autoritário prussiano e do desenvolvimento ideológico alemão, mas sua singularidade se deve, sobretudo, ao personagem Hitler, sendo impossível ignorá-lo, subestimá-lo ou substituí-lo. Esta preocupação, exposta por parte da historiografia sobre a ditadura alemã durante a Guerra Fria, limitou as explicações sobre o nazismo ao Estado e as Instituições, tornando embaçada a visibilidade sobre a efetiva participação do povo alemão durante o regime. Mesmo quando se falou na chamada Historikerstreit (disputa dos historiadores) gerando um grande e importante debate acerca do lugar que ocupa o Terceiro Reich na história alemã (1983-1986), a centralidade do debate estava voltado para a Hitler. O que a exposição “Hitler e os alemães” traz de mais importante não é uma análise dos processos de fascistização da sociedade mediante as ações do Estado Nacional-Socialista, mas, sim a proposição de um processo de fascistização comandado e assumido pela própria sociedade.

    Entendendo que uma compreensão mais profunda sobre o funcionamento da ditadura nazista levaria a uma responsabilização da população alemã sobre o sistema e suas atrocidades, parte da historiografia alemã, durante a Guerra Fria, referendou o uso do conceito de totalitarismo. Mesmo sendo um conceito pouco utilizado na Alemanha, o totalitarismo ficou marcado como conceito fundamental na explicação do nazismo e também da União Soviética sob o comando de Stálin. Durante o período da Guerra Fria, uma revisão do nazismo representava não apenas uma querela entre historiadores, mas trazia para o debate uma questão de caráter moral. Revisar o passado, onde a complexidade deste sistema transcenderia as noções tradicionais de entendimento do funcionamento do Estado e da sociedade, seria facilmente considerado como uma banalização da natureza cruel e desumana do regime nazi.

    Joseph Goebbels fala num grande comício em Berlim sobre o boicote anti-judeu / Bundesarchiv - Berlin

    Joseph Goebbels fala num grande comício em Berlim sobre o boicote anti-judeu / Bundesarchiv - Berlin

    Se entendermos a memória com um lugar de embate, de luta pela legitimação de uma interpretação que se institui como hegemônica, a história do Terceiro Reich apresenta duas visões no pós-guerra bastante significativas: uma memória da República Federal e outra da República Democrática. Para a República Federal, compreender ou aceitar o recém-passado alemão estava ligado a formação de uma consciência política do novo país e a partir daí de superação deste passado. A vertente interpretativa da República Democrática apoiou-se largamente na Internacional Comunista que entendia o nazismo como o mais chauvinista e imperialista elemento do capital financeiro. Na República Federal a marca central das análises defendia a tese de que a sociedade alemã tinha sido vitima de Hitler e seu sistema, enquanto que na República Democrática a questão girava em torno de uma memória de resistência, onde a população durante a guerra teve um papel fundamental na luta contra o nazismo e na libertação da Alemanha do Nacional-Socialismo.

    Segundo o professor Ian Kershaw, uma interpretação do nazismo deveria abarcar a fusão de três dimensões explicativas: uma de caráter histórico-filosófica, onde a questão fundamental seria a natureza do nazismo; uma política-ideológica, onde o regime, suas instituições e ideologia racial estariam no cerne do debate; e, por fim, uma dimensão moral que estaria ligada ao tratamento dado ao tema no pós-guerra e, especificamente, o que envolve a repressão e o genocídio durante a vigência do regime. Compreender o nazismo através de teorias explicativas ainda esbarra no problema enfrentado quando nos deparamos diretamente com os fatos, que, em certa medida, parecem tornar nossas explicações mais frágeis. Mesmo que o verbo compreender tenha um significado ambivalente, quando se trata de ditaduras, podemos rechaçar e seguir compreendendo o fenômeno que não deve em nenhuma hipótese ser entendido como um lapso momentâneo da razão.

    Trailer de "A fita branca", longa-metragem de Michael Haneke

    Na exposição “Hitler e os alemães” existe uma gradação muito clara de “fascinação” (Faszination) e de “Cooperação” (mitmachen) até a aprovação (“billigen”) dos próprios crimes do nazismo, bem como de oposição e resistência (fatos diferenciados) e que implica em plena consciência dos contemporâneos de Hitler sobre o fenômeno que vivenciavam, bem como sua natureza violenta e a compreensão do alcance criminoso do nazismo. O pretenso poder de Hitler foi, desta forma, preencher as expectativas e esperanças pré-existentes do povo alemão, não sendo ele mesmo o “autor” ou “produtor” de tais expectativas. A própria aceitação, com entusiasmo, frieza ou simplesmente oportunismo, do conceito de ‘comunidade do povo’ por parte da sociedade alemã implicava na cooperação com o nazismo. Esta noção, conforme construído sob o nazismo, teria em seu núcleo uma promessa real de violência.

    A vigência das noções decorrentes da “comunidade do povo” – tais como a pureza do sangue ariano, a exclusão de deficientes e de “diferentes” de todo tipo, a substituição dos conflitos de classe pela cooperação entre os membros da raça superior – plena de violência normativa impregnava a sociedade alemã de forma brutal. Conforme os organizadores da exposição, tal violência não era decorrente de ordens e decisões de apenas um homem – vindas “de cima”. A violência era produzida – no processo de exclusão social produzido pela aceitação voluntária das nações a “comunidade do povo” - através de um processo oriundo, ou mesmo antecipado, das próprias bases da sociedade alemã. Esta é uma discussão dura e amarga e que envolve o povo alemão.

    A análise direta e responsável do grupo que organizou a exposição implica numa ampla capacidade comparativa com todas as demais ditaduras. Eis aí um ponto de largo interesse com a América Latina. A questão central estaria, neste caso, em se perguntar se o processo de consumação da violência nas ditaduras é, de alguma forma, diferente ou comparável. Em verdade, se tivermos em mente as experiências históricas das ditaduras latino-americanas – dos anos 30/40 ou dos anos 60/80 do século XX – poderíamos nos perguntar sobre a adesão das sociedades latino-americanas ao processo de violência quotidiana desencadeado pela possibilidade de excluir e punir indivíduos considerados diferentes. Em graus diferentes é um debate recorrente em todas as ditaduras.

    Francisco Carlos Teixeira da Silva é professor titular de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor visitante da Technischen Universität Berlin.

    Karl Schurster é doutorando em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com estágio de pesquisa na Freie Universität Berlin.

    Saiba Mais
    Livros:

    KERSHAW, Ian. "Hitler". São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
    PAXTON, Robert. "Anatomia do fascismo". São Paulo: Paz e Terra, 2007.
    PARADA, Mauricio. (Org.) "Fascismos". Rio de Janeiro: Mauad, 2009.
    REICH, Wilhelm. "Psicologia de Massas do Fascismo". São Paulo: Martins Fontes, 2001.

    Filmes:

    HANEKE, Michael. "A fita branca". Áustria, Alemanha, França e Itália, Imovison, 2010.
    VERHOEVEN, Michael. "Uma cidade sem passado". Alemanha, ZDF, 1990.

Rio Antigo - Copacabana 1928 (Fragmento 3)

Rio Antigo - Copacabana 1928 (Fragmento 1)

Rio Antigo - Copacabana 1928 (Fragmento 1)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

LIVROS: PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA

Livro reúne exercícios de leitura e escrita para alunos de graduação


Débora Motta

Reprodução
Livro coloca conceitos gramaticais
a serviço da produção de textos

Dominar o idioma pátrio e saber se expressar bem, tanto na comunicação oral como na escrita, é um pré-requisito básico para a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Para ajudar os alunos dos diversos cursos de graduação do Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam) a aprimorar suas habilidades de leitura e escrita na língua portuguesa, pesquisadores da instituição elaboraram um material didático de fácil compreensão: o livro Práticas de Leitura e Escrita no Ensino Superior (ed. Freitas Barros). Com organização de Maria da Graça Cassano e coordenação de Maria Geralda de Miranda e Ana Maria Pires Novaes – professoras do Laboratório Multidisciplinar de Estudos da Linguagem: Pesquisas, Eventos, Metodologias e Produção de Material Didático-Pedagógico (Lamel), da Unisuam –, a obra é uma ferramenta prática para ajudar no desenvolvimento da competência textual e discursiva dos estudantes.

O livro nasceu da necessidade de elaborar um material acadêmico próprio para a disciplina Leitura e Produção de Textos, ministrada aos alunos recém-chegados na universidade, em todos os cursos da Unisuam. “Já se trabalha com leitura e produção de textos em todos os cursos desde antes de 2002, quando ingressei na instituição, mas cada professor produzia um material próprio e alguns davam um enfoque muito gramatical”, lembra a professora Maria da Graça Cassano. Além de padronizar o material didático do curso, o livro prioriza os exercícios de leitura e escrita. Nele, os conceitos gramaticais estão a serviço da produção de sentidos do texto. “Montamos um manual prático para ensinar os gêneros mais utilizados no ambiente acadêmico, como resumo, resenha, relatório, ensaio e fichamento. Também ensinamos como fazer citações de outros autores no texto acadêmico sem que elas sejam confundidas com plágio”, conta.

Para contemplar as temáticas fundamentais ao desenvolvimento das práticas discursivas dos alunos, o livro foi organizado em oito unidades, cada uma delas acompanhada por um estudo dirigido com exercícios extras. Eles deverão ser feitos fora da sala de aula, mas sempre com acompanhamento posterior do mestre. Entre os temas discutidos estão o conceito de texto, voltado para uma concepção multisemiótica, na unidade 1; as diferenças entre as línguas oral e escrita, na unidade 2; o estudo dos tipos textuais, como narração, descrição, dissertação e injução, na unidade 3; a constituição da narração e da dissertação, respectivamente abordadas nas unidades 4 e 5; e, por fim, a elaboração dos gêneros acadêmicos: resumo, resenha, ensaio e relatório, nas unidades 6, 7 e 8.

Para a professora Maria da Graça Cassano, trabalhar as capacidades de leitura e escrita dos alunos no nível superior é fundamental para suprir antigas lacunas de conhecimento na língua portuguesa, que muitas vezes passam batidas desde o colégio até a faculdade. “Muitos estudantes chegam ao nível superior ainda com dificuldades básicas em português e produção textual. Às vezes, até a interpretação correta de um texto é um problema. As experiências educacionais anteriores dos alunos, de um modo geral, são heterogêneas, mas eles costumam apresentar dificuldades quanto à leitura e escrita. E nem se pode atribuir somente à escola pública a responsabilidade pelo problema, porque mesmo a rede particular, com as exceções de praxe, também não realiza um trabalho, de fato, a contento”, avalia a educadora. Por isso, o material foi elaborado com muitos exercícios, para agilizar o processo de aprendizagem.

A obra é resultado de um projeto multidisciplinar com ênfase nos Estudos da Linguagem, contemplado pela FAPERJ com o edital de Apoio a Instituições de Ensino e Pesquisa Sediadas no Estado do Rio de Janeiro, que viabilizou a aquisição da infraestrutura necessária para a montagem do Lamel. “O apoio da Fundação permitiu a aquisição de equipamentos e mobiliário. Hoje, temos um espaço físico com computadores, internet, scanners, impressoras, TVs e datashow, ou seja um material para garantir as condições de desenvolvimento e as produções do grupo”, conclui.

© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

TROPEÇO NA HISTÓRIA

segunda-feira, 6 de junho de 2011

** Tropeço na História


Coluna de Miriam Leitão, no Globo de ontem (05/06), abordando o tema ESCRAVIDÃO. Recomendo a leitura com atenção:
COLUNA NO GLOBO


Tropeço na História


Foi no antigo Cais do Valongo, perto das pedras que foram descobertas recentemente nas escavações para a recuperação do Centro do Rio, a homenagem a Abdias Nascimento, sete dias após a sua morte. No Valongo os escravos desembarcavam e eram depositados nos armazéns que ficavam na atual Rua Camerino para serem pesados, preparados e vendidos.
O lugar impõe respeito. É impossível não sentir o peso dos dramas vividos ali. Que a cidade possa guardar bem os pontos que estavam encobertos pela nossa dificuldade de olhar o passado com sinceridade e reflexão. Lá, líderes de religiões diferentes misturaram palavras e evocações, junto com as de autoridades como o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa.
O ministro chegou com bengala e sinais de que seu problema de coluna se agrava. Avisou que enfrentará a limitação o mais breve possível. Que consiga. Misturado aos amigos e admiradores de Abdias foi chamado para falar. O ministro disse que Abdias era único. De fato, é difícil pensar em substituto. Aos 97 anos ele carregava a força da coerência com que combateu o racismo e o dom de unir pessoas com pensamentos diferentes. Abdias trafegava por tantas áreas da cultura e do pensamento que é difícil defini-lo: ele foi jornalista, autor de teatro, pensador, cineasta, político, militante da causa negra.
O cais do Valongo fala por si, e a dificuldade de vê-lo, também. As pedras que reapareceram nas escavações foram encontradas por acaso. O mesmo acaso que reencontrou o cemitério dos pretos novos na Gamboa, onde eram jogados os corpos ou moribundos que não tinham suportado a longa e dolorosa travessia do mar. O que intriga é esse tropeço na História. Ela deveria ser buscada e reverenciada como parte do entendimento do Brasil sobre si mesmo e não ter que submergir aos pedaços numa obra no porto, ou numa reforma de uma casa particular como a que permitiu o encontro de pedaços do cemitério. Foram 350 anos os que o país viveu sob a escravidão. Essa iniquidade ocupou a maior parte dos 511 anos desde a chegada dos portugueses. Felizmente estuda-se mais hoje esse período que foi soterrado de propósito. Não ver é mais confortável, mas o melhor é sempre admitir, entender e superar.
Anoitecia no sítio arqueológico do Valongo e aquele grupo pequeno de pessoas tentava ouvir as palavras de homenagem a Abdias no meio do barulho do rush do Centro. Elisa Larkin, a viúva, havia me dito: aqui não era o melhor lugar? Era.
Desde que Mary Karasch, a historiadora americana, escreveu "A vida dos Escravos no Rio de Janeiro (1808-1850)", um livro seminal, todos os que se interessam pelo tema, e os jovens historiadores, aprenderam que há vários caminhos que levam às informações sobre o que se passou no Centro velho do Rio. A cidade era porta de entrada de escravos que ficavam nas cidades e dos que iam trabalhar nas plantações de café e cana-de-açúcar ou para as minas de Minas Gerais. O Valongo era um cais de desembarque e o maior mercado de escravos do Brasil. Até 1830 eles eram desembarcados à luz do dia e colocados nos depósitos para ganhar algum peso para serem vendidos. Depois de 1830, com o tráfico proibido para inglês ver, eles eram tirados à noite furtivamente dos navios e os depósitos deixaram de ter janela, o que piorou muito. O cálculo de Karasch é que um milhão de africanos entraram pelo Rio.
O que a cidade deve fazer com esse pedaço redescoberto do cais é preservá-lo para contar essa história. Há hoje estudos valiosos. Há relatos de viajantes que se impressionavam pelas cenas descritas. Um deles, C. Brand, foi ao mercado do Valongo em 1827 e descreve assim o que viu: "A primeira loja de carne em que entramos continha cerca de 300 crianças de ambos os sexos: o mais velho poderia ter 12 ou 13 anos e o mais novo não mais de seis ou sete anos."
Durante muito tempo o Brasil não estudou essa página da História porque criou-se o mito de que Rui Barbosa teria queimado todos os documentos. Como se sabe hoje, ele queimou os documentos tributários diante da enorme pressão dos escravistas para serem indenizados. Há inúmeras outras pistas pelas quais os historiadores estão escavando esse passado. Karasch descobriu muitas informações nos registros da Santa Casa de Misericórdia. Os donos de escravos mandavam para lá os que estavam morrendo para não ter despesa com o funeral. A Santa Casa registrava idade, de onde tinham vindo, causa da morte. Morriam principalmente de tuberculose. Há outras fontes como os arquivos Nacional, da Cidade e do Itamaraty, registros policiais, comerciais, os jornais da época, os relatos de viajantes. A inglesa Maria Graham, em 1821, encantou-se com a beleza do Rio na chegada à baía: "A cena mais encantadora que a imaginação pode conceber." No Valongo, relata que fez um gesto de carinho aos jovens negros e eles retribuíram com sorrisos. Há inúmeros relatos dos viajantes, preciosas reportagens. A História vai retornando.
De manhã eu tinha ido à Casa de Rui Barbosa. Lá andei com temor reverencial pela multidão de livros organizados e li com admiração as frases de uma exposição. Numa delas, Rui indeferia o pedido em 1890 dos ex-donos de escravos de que se criasse um banco para indenizá-los pelo prejuízo com a abolição. "Mais justo seria e melhor se consultaria o sentimento nacional se se pudesse descobrir meio de indenizar os ex-escravos" (veja em meu blog o despacho do Rui). O século XIX passeava na minha cabeça enquanto eu vi a noite chegar olhando as pedras do Valongo.


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