sexta-feira, 27 de novembro de 2009
O derretimento e o gelo da vizinha
CONTEXTO QUE ME ENQUADRO
À raça dos desassossegados pertencemos todos, negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, desde que tenhamos como característica desta raça comum, a inquietação que nos torna insuportavelmente exigentes com a gente mesmo e a ambição de vencer não os jogos, mas o tempo, este adversário implacável.
Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constante, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.
Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.
Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam ao concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.
Desassossegados não podem mais ver o telejornal que choram, não podem sair mais às ruas que temem, não podem aceitar tanta gente crua habitando os topos das pirâmides e tanta gente cozida em filas, em madrugadas e no silêncio dos bueiros.
Desassossegados vestem-se de qualquer jeito, arrancam a pele dos dedos com os dentes, homens e mulheres soterrados, cavando uma abertura, tentando abrir uma janela emperrada, inventando uns desafios diferentes para sentir sua vida empurrada, desassossegados voltados pra frente.
Desassossegados desconfiam de si mesmos, se acusam e se defendem, contradizem-se, são fáceis e difíceis, acatam e desrespeitam as leis e seus próprios conceitos, tumultuados e irresistíveis seres que latejam.
Desassossegados têm insônia e são gentis, lhes incomodam as verdades imutáveis, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com tanta idéia solta, com tamanha esquizofrenia, não se acomodam em rede, leito, lamentam a falta que faz uma paz inconsciente.
Desta raça somos todos, eu sou, só sossego quando me aceito"
Martha Medeiros
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Valeu ZAHAR

O globo enviou lá pra casa...
1989: O ano que mudou o mundoA verdadeira história da queda do Muro de Berlim
Michael Meyer
SINOPSE
“Na realidade, a imagem icônica de berlinenses orientais festejando no alto do Muro, batendo com marretas, deve-se tanto à casualidade quanto à culminação de uma história.” Michael Meyer Em 9 de novembro de 1989, o Muro de Berlim foi abaixo, simbolizando o fim da era comunista. O então chefe da sucursal da Newsweek no Leste europeu assistiu a tudo de perto e entrevistou os principais atores envolvidos no cenário anterior à derrubada da Cortina de Ferro. Foi o último jornalista, por exemplo, a entrevistar Nicolae Ceaucescu, tendo assistido à execução do tirano romeno por sua própria polícia secreta.Esse foi o ano que mudou o mundo, marcou o fim da Guerra Fria e o início de uma época de globalização e livre mercado. Mesmo naquele momento, Meyer já desconfiava de que não se via a história toda. Vinte anos depois, esse livro desconstrói os mitos que cercam o acontecimento, nos conta a verdadeira história por trás das notícias dos jornais e mostra seus efeitos nos dia de hoje. O ano de 1989 foi uma fantasia e agora vamos saber por quê.“Meyer domina os eventos com brilho e confere a eles um significado extraordinário.” Fareed Zakaria, editor da Newsweek“Um relato vivo e atraente do fervilhar de acontecimentos que levaram à queda do Muro de Berlim e ao colapso do império soviético. Também é uma convincente reavaliação sobre quem merece os créditos – e uma lição para as lideranças americanas.” Hames Hoge, Foreign Affairs> Veja como a queda do Muro de Berlim foi noticiada pelo Jornal Nacional, em 1989.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
MURO DE BERLIM

Que mundo? Haviam dois sistemas, isto sim! Num deles acordávamos quase sabendo das imperfeições. Depois da queda do MURO as certezas ruíram de vez! A esquerda ficou paraplégica, perdeu movimento. A direita golpista ganhou ares de boa gente. Ditaduras ficaram "brandas". Movimentos nacionalistas se aliaram a traficantes de cocaína. Os Balcãs deram em genocídio. Vários países surgiram. Os palestinos continuam sem nenhum país. Os inimigos-fragmentados e invisíveis- estão em toda parte agora. E, o mundo, único, se transformou num grande balcão de negócios, mais sujos ainda: 1-as sobras das armas do leste europeu alimentam golpes, novas máfias e o genocídio em África; 2-o dinheiro sujo circula livre em bolsas; 3-dois aviões explodiram dois símbolos do liberalismo; 4-o terrorismo e a tortura se esparramam como campos de refugiados pelo chão; 5- verdes de butique querem salvar-nos do aquecimento global; 6- A ONU blá, blá ,blá, ainda...7- Os blocos regionais viraram instrumentos econômicos fatais; 8- a China está “bombando literalmente” o planeta; 9- O Obama amarelou, o Lula paz e amor, o Chaves aiatolou...; 10-Um novo muro cresceu em Israel, onde vivem muitos que fugiram da velha Berlim oriental. Chi...e, para todo lado... a intolerância continua de pé! Então, qual é a importância da queda do muro de Berlim para o mundo, se a intolerância continua de pé? Eis a importância,digamos, capital! ...de capitalismo!
Eduardo Affonso http://eduardoaffonsohistoriapoesiaetudo.blogspot.com/
p.s. Essa foi para O Globo, pretendia ganhar um livro sobre o Muro. A minha resposta voltou. Perdi o livro, me diverti. Deu prazer o descompromisso...a verve ainda ferve sem muros....ninguém precisa de nenhum. O de Berlim como forma de arte, é recurso...
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Que se cumpra a lei
Bom, fiz questão de reproduzir o recortee que fiz do jornal nesta data. Pois ele servira para esclarecer as coisas...e parar a sucessão de abobrinahs e preconceitos contra os trabalhadores rurais sem terra.
Um abraço amigos!
EDU
Que se cumpra a lei
João Pedro Stedile : Artigo; O dia 05-10-2009
A Constituição de 1988 é clara: a propriedade da terra está condicionada ao seu uso, em favor da sociedade. Se não for cumprida essa condição, a terra deve ser desapropriada, paga e entregue a quem quiser trabalhar. No Brasil, não há direito absoluto sobre a propriedade rural. Ela precisa estar produzindo, respeitar o meio ambiente e as relações trabalhistas, não ter trabalho escravo, não ter plantações de drogas e, portanto, estar a serviço do bem comum.
A lei agrária de 1933 definiu a propriedade produtiva. Dividiu o Brasil em mais de 500 microregiões. E estabeleceu que cada uma fosse calculada a média de produtividade por produto, definida a cada dez anos, pelo IBGE.
Os fazendeiros que produzirem abaixo da média deveriam ter as terras desapropriadas e indenizadas. O Incra-Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária -, calculou, então, a média por região, baseada nos dados disponíveis do Censo de 1975. E, desde então, nunca mais atualizou.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST, pediu que o governo cumpra a lei e atualize a média. Fazendeiros atrasados s e juntaram a parte da imprensa e parlamentares e pediram uma CPI contra o MST, em represália. No fundo querem esconder sua incompetência e que usam as teras para especular e ganhar dinheiro.
A pobreza no meio rural, a desigualdade e as injustiças sociais não são causadas pelos trabalhadores, pelo MST, mas pela concentração da propriedade. Os fazendeiros são 36 mil e controlam 46% de todas as terras do Brasil! Excluem 4 milhões de famílias de trabalhadores rurais sem terra. A sociedade brasileira sabe quem são os trabalhadores e quem são os exploradores.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
ISSO TAMBÉM PASSARÁ
Isso também passará
“Longo tempo não significa para sempre”
Provérbio alemão
Khyentse Norbu era um jovem monge tibetabno quando Bernardo Bertolucci foi à Índia para filmar o pequeno Buda, Um filme sobre o príncipe Shidarta, que iria se tornar o Buda. Atuando como extra, Khyentse Norbu apaixonou-se pela arte cinematográfica e, cinco anos depois, seu filme independente A Copa, sobre a obsessão de um grupo de jovens monges pelo campeonato mundial de futebol, foi muito aplaudido. De um dia para o outro, Khyentse Norbu se tornou uma celebridade.
Li uma entrevista que deu logo após esse evento que transformou sua vida. Ele falou sobre o conceito budista de impermanência, o fato que tudo muda, de que nada permanece igual para sempre. Acrescentou que os não- budistas consideram a impermanência angustiante, porque enfatiza a perda. No entanto, ele a vê como positiva. Porque, sem a impermanência, ele brinca, “eu me desesperaria por não ter um BMW. Mas a impermanência significa que esse meu estado desprovido de um BMW pode mudar a qualqrer momento!
Eu ri quando li isso, nunca mais esqueci esse comentário. Porque, quando se trata de praticar a paciência, é muito útil lembrar que as coisas sempre mudam. Podemos ter certeza de que elas mudarão, mesmo que não mudem tão depressa quanto queremos ou da maneira como gostaríamos que acontecesse.
Quando vivenciamos a impermanência, tendemos a engessar a realidade atual: é assim e assim vai continuar para sempre. Vou ficar neste emprego para sempre; vou ficar trocando fraldas para sempre; vou ficar enfrentado dificuldades financeiras para sempre; vou ficar sozinho para sempre; vou ficar, nesta cama, doente, para sempre. Quando estamos atravessando uma situação desconfortável, corremos o risco de reduzir o mundo àquele momento e nos desesperamos com a possibilidade de aquilo jamais acabar.
Mas, quando nos lembramos que as coisas sempre mudam, somos capazes de esperar com mais tranquilidade. Foi por isso que sorri quando li o prrvérbio alemão: ao longo do tempo não significa para sempre, só parece.
Não apenas os budistas e os alemaẽs possuem esse ensinamento. Jesus Cristo disse: “Isso passará.” Quando o momento é difícil, essa profunda verdade se torna um grande conforto, porque nos dá força, esperança -e paciência- para conviver com o que quer que esteja nos atormentando.
O Poder da paciência pág 71. Editora sextante
M.J.RYAN
