sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Só espero que um dia ele também leia SALLINGER

Para sempre guardarei as tuas palavras, velho amigo de muitas horas de pensamento. Digo que por toda a minha vida estarei contigo como se todos os dia fossem "um dia perfeito para os peixes bananas", que aliás já brinquei na praia com o meu amado filho Miguel. Não vou me alongar nesta emoção arrebatadora da tua passagem. Obrigado velho camarada!
p.s; Quem não leu corra que ainda é tempo de ser "o gargalhada" ou estar nas histórias do maior de todos os craques J.D. SALLINGER.
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Luto
Morre o escritor J.D. Salinger, autor de 'O apanhador no campo de centeio'

Publicada em 28/01/2010 às 16h26m
O Globo



O escritor americano J.D. Salinger me uma de seus poucos registros/ Arquivo - O Globo

RIO - Morreu, aos 91 anos, J.D. Salinger, o legendário autor, herói da juventude e fugitivo da fama cujo livro "O apanhador no campo de centeio" chocou e inspirou um mundo do qual ele gradativamente foi se afastando. A informação sobre a morte na quarta-feira foi divulgada pelos jornais americanos nesta quinta.

Salinger morreu de causas naturais em sua casa, declarou seu filho através de um comunicado divulgado pelo agente literário do escritor. Há várias décadas, ele vivia em um exílio voluntário em uma pequena casa na remota cidade de Cornish, no estado de New Hampshire, nos EUA.

'O apanhador no campo de centeio', de J.D. Salinger, é referência em filmes, músicas e até atos violentos

No Brasil, livro ia se chamar 'Sentinela do abismo'. Leia no Prosa Online

"O apanhador no campo de centeio" com seu imortal protagonista adolescente, o rebelde Holden Caulfield, foi lançado em 1951, época de conformidade com a Guerra Fria e do nascimento da adolescência moderna.

Holden logo se tornou o mais famoso anti-herói da literatura americana. O número da vendas do romance é impressionante - mais de 60 milhões de cópias no mundo todo - e seu impacto é incalculável. Décadas após sua publicação, o livro continua sendo uma expressão determinante do mais americano dos sonhos - nunca crescer.

Salinger escrevia para adultos, mas adolescentes de todos os lugares se identificaram com os temas tratados no romance, como alienação, inocência e fantasia. "Apanhador" apresenta o mundo como uma luta sempre injusta entre a bondade dos jovens e a corrupção dos mais velhos.

Em seguida, diversos livros e filmes, como "Rebelde sem causa", e incontáveis canções de rock ecoaram a mensagem de Salinger. Um dos maiores anti-heróis dos anos 1960, Benjamin Braddock, de "A primeira noite de um homem", não era senão uma versão mais branda do narrador de Salinger.

O culto ao livro tomou um rumo trágico em 1980, quando o perturbado fã dos Beatles Mark David Chapman matou John Lennon, citando a obra de Salinger como inspiração, declarando que "esse extraordinário livro traz muitas respostas".

Já no século 21, o interesse por Holden tornou-se relativamente mais brando, mas o livro de Salinger permaneceu com lugar cativo nos currículos escolares e discutido em várias páginas na internet e em sites de relacionamento, como o Facebook.

Os outros livros de Salinger não se compararam a "Apanhador" em influência ou vendas, mas eles continuam sendo lidos, com grande afetuosidade e intensidade. Entre eles, estão a coletânea "Nove histórias" e o romance "Franny e Zooey".

Ele escreveu ainda os romances "Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira" e "Seymour, uma introdução", ambos retratando a neurótica (e ficcional) família Glass, que aparece em boa parte de seu trabalho. Sua última história a ser publicada foi "Hapworth 16, 1928", que saiu na revista "The New Yorker", em 1965.

Em 1997, foi anunciado que "Hapworth" seria replublicada como um livro - gerando uma crítica negativa do "New York Times". O livro acabou não sendo lançado. Em 1999, um vizinho de Salinger de New Hampshire, Jerry Burt, declarou que o autor teria dito a ele, anos antes, que tinha escrito pelo menos 15 livros nunca publicados, que ele guardava em um cofre dentro de casa.

- Adoro escrever e garanto a você que escrevo regularmente - disse Salinger em uma breve entrevista à revista "Advocate", em 1980. - Mas escrevo para mim mesmo, para meu prazer. E quero que me deixem em paz para fazê-lo.
Biografia

O escritor americano J.D. Salinger e exmeplares do seu clássico 'O apanhador no campo de centeio'/ Foto AP

Jerome David Salinger nasceu no dia 1º de janeiro de 1919, na cidade de Nova York. Seu pai foi um rico importador de queijo e carne e a família viveu por muitos anos na famosa Park Avenue.

Assim como Holden, Salinger foi um aluno indiferente com um histórico de problemas em várias escolas. Ele foi mandado para a Academia Militar de Valley Forge aos 15 anos, onde escrevia à noite com uma lanterna sob os lençóis e eventualmente conseguiu seu único diploma. Em 1940, ele publicou sua primeira ficção, "The young folks", na revista "Story".

Salinger serviu ao exército de 1942 e 1946, carregando uma máquina de escrever na maior parte do tempo, escrevendo "sempre que encontrava tempo e uma trincheira desocupada", disse ele a um amigo.

Holden apareceu pela primeira vez como um personagem na história "Last day of the last Furlough", publicada em 1944 na "Saturday Evening Post". Os textos de Salinger foram publicados em diversas revistas, especialmente a "New Yorker", que deu trechos de "Apanhador".

Depois de lançado, o romance tornou-se um best seller rapidamentente, com uma série de críticas exaltando-o. O jornal "The New York Times", por exemplo, afirmou que a obra era "um livro de estreia extraordinariamente brilhante".

Assim, o mundo clamava por Salinger, mas ele deu as costas para a fama. Em 1952, já havia se mudado para Cornish. Três anos depois, casou-se com Claire Douglas, com quem teve dois filhos, Peggy e Matthew, antes de se divorciar em 1967. Salinger também foi casado, por pouco tempo, nos anos 1940, com uma mulher chamada Sylvia, mas pouco se sabe sobre ela.
Exílio

Nos anos que se seguiram, o escritor se recusava a dar entrevistas, instruindo seu agente a barrar correspondências de fãs e passando boa parte de seu tempo escrevendo em casa.

Apesar de Salinger ter considerado uma adaptação de "Apanhador" para o teatro, com o próprio autor no papel de Holden, ele recusou diversas ofertas para transformar o livro em filme, incluindo propostas de nomes como Billy Wilder e Elia Kazan, assim como Steven Spielberg.

Salinger ficou ainda mais célebre por rejeitar a fama. Em 1982, ele processou um homem que teria tentado vender uma entrevista fictícia com o autor para uma revista americana. O impostor aceitou parar a negociação e Salinger desistiu do processo.

Cinco anos depois, outra ação legal de Salinger resultou em uma importante decisão da Suprema Corte Americana. O tribunal não permitiu a publicação de uma biografia não autorizada, escrita por Ian Hamilton, que utilizava cartas nunca publicadas do escritor. Salinger registrou os direitos das cartas quando soube do livro de Hamilton, que foi lançado em uma edição revisada em 1988.

Em 2009, Salinger entrou com um processo para impedir a publicação do livro "60 years later", de John David California, uma sequência não autorizada de "O apanhador no campo de centeio", que imaginava Holden aos 70 anos.

Contra a vontade de Salinger, em 1998, a autora Joyce Maynard publicou seu livro de memórias "At home in the world", em que detalhava seu romance com Salinger, de oito meses de duração, no começo dos anos 1970, quando ela tinha menos da metade da idade do escritor. Ela o descrevia como dono de uma personalidade controladora com excêntricos hábitos alimentares, além de contar detalhes de sua vida sexual problemática.

No ano 2000, uma das filhas do escritor, Margaret Salinger, publicou o livro "Dreamcatcher", em que mostrava o pai como uma pessoa reclusa e desagradável, que bebia a própria urina e falava através de dialetos.

Na época do lançamento, Margaret declarou que havia escrito o livro porque estava "determinada a não repetir com meu filho o que foi feito comigo".

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