quarta-feira, 22 de outubro de 2008

UMA LEMBRANÇA.

Batalha de Rosário completa 30 anos

por Frederico Soares, foto de Eurico Dantas

Quando a bola rolar na noite desta quarta-feira para Brasil e Argentina, estarão completando exatos 30 anos de uma partida que se tornou quase sanguinária. Tão violenta que ficou conhecida como Batalha de Rosário. O jogo foi válido pela segunda fase da Copa do Mundo de 78. Após 90 minutos de pancadaria, o empate em 0 a 0 deixou a seleção brasileira com esperança de ir à final.

— A seleção deles entrou em campo disposta a nos incomodar. O primeiro lance do jogo foi um chute do Luque no Batista. Isso mostrou como seria a partida — lembrou o zagueuiro Oscar.

Sob o atento olhar do ditador argentino de plantão, o general Jorge Rafael Videla, o árbitro húngaro Karoly Palotai fazia vista grossa para as botinadas dos argentinos. A reação dos brasileiros não poderia ser outra: responderam na mesma moeda.

— Quando vi que o árbitro nada faria, resolvi agir do meu jeito. E aí tive de bater também — disse Oscar.
A primeira vítima de Oscar foi Luque. Depois, foi a vez de Ortiz sentir as travas da chu$do brasileiro. Nada, porém, que amenizasse a violência da seleção argentina.

— Eles queriam ganhar o jogo na base da intimidação. Mas não aliviamos também — disse Roberto Dinamite.

A partida seguia tensa, onde a marcação prevalecia. E poucas chances eram criadas. Na melhor delas, ainda no primeiro tempo, o grandalhão Luque levou uma cotovelada de Oscar antes de cruzar a bola para a conclusão errada de Galván.

Apesar das entradas duras de Oscar e de Chicão, Luque não tomava jeito. O truculento argentino Batista foi outro a mostrar seu repertório de violência na segunda etapa. Que o diga o tornozelo do atacante Dirceu, atingido pelo volante.

— Os jogadores franzinos, como o Dirceu e o Zico, eram quem mais sofriam. O Zico se irritou e levou um cartão amarelo — lembrou o Batista brasileiro.

Nesta altura, o técnico Claudio Coutinho resolveu ampliar seu arsenal de defesa contra os argentinos. Sacou Rodrigues Neto da lateral-esquerda e pôs Edinho. Uma das atribuições que o então zagueiro do Fluminense recebeu foi exatamente dar um jeito em Luque.

— Assim que entrei, dei logo duas pregadas nele. Só aí que se aquietou — disse.

À medida que o jogo foi se aproximando do fim, as pancadas foram diminuindo. E o Brasil, enfim, pôde mostrar o seu melhor futebol. A seleção teve a vitória nos pés de Roberto Dinamite. Após receber lançamento, ele entrou na área cara a cara com Filliol, mas acertou a bola nas pernas do goleiro argentino.
No fim, inusitadamente, os jogadores trocaram camisas e apertos de mão. Tudo indicava que o Brasil iria para a decisão. Mas havia o Peru no meio do caminho... E a Argentina fez 6 a 0.

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